
A maioria dos líderes das pequenas e médias empresas brasileiras têm a intenção de expandir seu negócio no próximo ano. É o que apontam 60% dos entrevistados da pesquisa “Cabeça de Dono” do Itaú Empresas, realizado pelo Instituto Locomotiva. Esse objetivo, porém, é menor entre os empreendedores no Norte do país: 44% afirmaram estar se preparando para crescer nos próximos 12 meses, enquanto 55% pretendem continuar do mesmo tamanho. As PMEs da região também são as que mais sentem receber menos incentivos e apoio para se desenvolver na comparação com o restante do país, chegando a 87% dos entrevistados nortistas, frente a 74% do total nacional.
Esses empresários são impactados ainda por desafios como cenário externo e competitivo, crescimento e inovação, e gestão financeira. Além disso, uma vez que estão constantemente tentando ‘equilibrar os pratos para não deixar nada cair’, não conseguem buscar por uma especialização ou por ajuda em rede de apoio, o que pode restringir seu crescimento: 32% dos líderes nortistas assumem sozinhos decisões estratégicas da empresa em ao menos uma área. Somado a isso, 30% dos empresários do Norte ouvidos chegam a ser os únicos responsáveis pela execução das tarefas operacionais e cotidianas. Geralmente, estão mais envolvidos com os temas ligados ao comercial, entrando um pouco menos nos assuntos especializados, como jurídico e tecnologia da informação.
“Muitos empreendedores ainda não se sentem prontos para crescer, não têm os ferramentais necessários ou não querem renunciar às suas funções operacionais. E mesmo entre os que acreditam no crescimento, isso pode ser um grande desafio, principalmente em uma região com tanto potencial quanto o Norte, que ainda possui questões socioeconômicas importantes a serem melhor desenvolvidas”, contextualiza Antonio Rafael Souza, diretor estratégia para PMEs do Itaú Unibanco.
A pesquisa inédita, realizada entre julho e agosto, ouviu 1001 homens e mulheres líderes de pequenas e médias empresas com faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 50 milhões, nas cinco regiões do Brasil*. Ela traz um panorama sobre as necessidades e desafios enfrentados pelas PMEs, com o objetivo de jogar luz a um segmento tão importante para a economia. Isso porque as PMEs são responsáveis por 30% do PIB e geram 50% dos empregos ativos**, impactando potencialmente mais de 80 milhões de brasileiros.
“Os empreendedores geralmente são multitarefas, ou seja, pensam em toda a gestão do seu negócio, que é o que se espera de um líder, mas também se envolvem nas tarefas do dia a dia, colocam a mão na massa, e muitas vezes como é possível ver na pesquisa, em mais de uma área. Basicamente é como se ele fosse o CEO, CFO, diretor de marca, e muitas vezes até o office boy da sua empresa. Tudo isso impacta diretamente na falta de tempo para inovar, pensar em novos produtos, impacta ainda sua relação com a família, os cuidados com a saúde. A boa notícia é que o empresário brasileiro é um otimista, que segue esperançoso e empolgado com o futuro e quer expandir seu negócio”, explica Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
Desafios para o negócio
Entre os desafios pesquisados, 92% das PMEs da região Norte relataram alguma ou muita dificuldade em cenário externo e competitivo, e o mesmo índice em gestão financeira; crescimento e inovação aparece em seguida, citado por 91%. Quando questionados sobre qual tema consideram ter muita dificuldade, 57% dos empreendedores da região apontam cenário externo e competitivo (frente 48% na média nacional), 49% em gestão financeira (41% no total Brasil) e 42% em crescimento e inovação (38% no nacional).
A pesquisa revela ainda outras demandas que, caso fossem endereçadas de forma estratégica – com um apoio externo ou de especialistas, por exemplo – poderiam fortalecer os negócios e seus líderes para enfrentarem suas rotinas. Além da sobrecarga interna, 56% dos líderes nortistas apontam que gostariam de poder dialogar mais com outros empresários e gestores para compartilhar experiências, dificuldades e soluções.
“Nesse contexto, muitos empresários têm pouco conhecimento sobre qual o apoio externo que eles poderiam buscar – e quando procuram algum profissional, este muitas vezes não tem as ferramentas e conhecimentos necessários para desenhar um planejamento integrado adequado às reais necessidades de cada empresa”, conta Souza. “Tivemos um caso de gestor que nos procurou com dificuldades na empresa, que passaram a afetar diretamente a qualidade de vida da sua família, provocando uma sensação de angústia. Conseguimos desenhar um plano de reestruturação para ajudá-lo a se reerguer e a reduzir esse peso, gerando inclusive mais tempo – para focar no que realmente era importante.”
Impacto nas vidas e rotina – acima da média nacional
O estudo “Cabeça de Dono” avaliou também como os pequenos e médios empresários se sentem em relação à rotina de trabalho e como isso afeta suas vidas. O Norte teve resultados bastante aderentes ao encontrado no restante do país, com cansaço predominando para 52% dos empreendedores, seguido pela sensação de sobrecarga e estresse, presentes para 57% dos entrevistados.
Apesar disso, os líderes das PMEs da região são os mais afetados na hora de equilibrar vida profissional e pessoal: 73% deles gostariam de ter mais tempo com a família (62% na média nacional), enquanto 67% já enfrentaram alguma situação financeira adversa na vida pessoal por causa da empresa (60% no Brasil), e 61% já tiveram problemas de saúde relacionados à rotina de trabalho (52% em todo o país).
“A percepção de solidão, falta de apoio ou de reconhecimento, sobrecarga e implicações na vida pessoal dos pequenos e médios empresários brasileiros é comprovada em todo o estudo ‘Cabeça de Dono’. E a palavra-chave que permeia cada desafio é ‘tempo’. O gestor que volta sua energia para dentro da empresa, focando no operacional, acaba não conseguindo se dedicar ao crescimento e evolução da sua empresa. A falta de conhecimento em determinadas áreas o faz perder esse tempo precioso que, se fosse dedicado de maneira eficiente, poderia alavancar oportunidades no negócio e na vida pessoal – gerando mais tempo para a família ou para cuidar da saúde. Se o tempo é um ativo finito, por que não usar para o que realmente importa?”, questiona Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
“O potencial das PMEs pode gerar um impacto muito grande no Brasil e precisa ser melhor aproveitado. A perspectiva de crescimento poderia ser maior se eles tivessem apoio especializado para gerir de forma assertiva e sustentável. Foi com isso em mente que estruturamos o Itaú Empresas nos últimos anos. Acreditamos neste diferencial: oferecer um olhar de planejamento estratégico e assessoria nos temas mais importantes – atuando como um time estendido de cada empresa – pode atenuar o peso da tomada de decisão e liberar o tempo dos empreendedores para que eles foquem no que é mais importante, criando um círculo virtuoso de prosperidade para o segmento e o país”, explica o diretor do Itaú Unibanco.
*Pesquisa qualitativa e quantitativa nacional com uma amostra de 1001 entrevistas com proprietários de empresas com faturamento anual de R$ 360 mil a R$ 50 milhões, realizada entre os dias 4 de julho e 16 de agosto deste ano.
**Dados Sebrae
- Sobre o Itaú Unibanco | O Itaú Unibanco é um banco digital com a conveniência do atendimento físico. Estamos presentes em 18 países e temos mais de 70 milhões de clientes, entre pessoas físicas e empresas de todos os segmentos, a quem oferecemos as melhores experiências em produtos e serviços financeiros. Temos uma agenda estratégica com foco na centralidade do cliente, que passa por duas transformações: cultural e digital, ambas sustentadas na diversidade do nosso povo. Fomos selecionados pela 24ª vez consecutiva para fazer parte do Índice Mundial de Sustentabilidade Dow Jones (DJSI World), sendo a única instituição financeira latino-americana a integrar o índice desde sua criação, em 1999.
- Sobre o Instituto Locomotiva | O Instituto Locomotiva trabalha para mostrar que existem pessoas e histórias por trás de cada número. Olhamos a fundo para a população que vive, consome e sonha no Brasil, para que nossos números tenham história e identidade. Com isso, transformamos resultados de pesquisas em conhecimento e estratégia, ampliando as possibilidades de empresas, instituições e organizações, contribuindo para a construção de identidade entre elas e seus públicos e gerando indicadores capazes de fomentar o debate público. Nosso trabalho é sermos porta-vozes da população e um farol para os dados que realmente importam.











