
Nesta terça-feira 07/04, o Dia do jornalista foi tema de debate na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). O deputado estadual Sinésio Campos (PT) usou a tribuna para homenagear a categoria e destacar o papel essencial da imprensa na manutenção da democracia. Embora o tom tenha sido de celebração, o discurso trouxe à tona feridas abertas de uma profissão que, no Norte do país, sobrevive sob condições extremas e falta de garantias básicas.
O parlamentar relembrou o legado de Libero Badaró, médico e jornalista assassinado em 1830, cujo sacrifício consolidou a data como um marco da liberdade de expressão no Brasil. No entanto, ao trazer o debate para o contexto amazônico, o cenário descrito por Sinésio Campos revela que a liberdade ainda esbarra na precariedade estrutural.
Barreiras e precarização
Fazer jornalismo no Amazonas não é apenas uma questão de técnica, mas de resistência física e logística. O deputado pontuou que os profissionais que atuam no interior do estado enfrentam barreiras que muitos centros urbanos desconhecem.
- Logística fluvial: Produzir notícia exige horas ou dias de deslocamento pelos rios.
- Falta de direitos: Muitos profissionais atuam sem vínculo empregatício ou carteira assinada.
- Estrutura limitada: O acesso tecnológico e as condições de trabalho são precários em comunidades remotas.
“O jornalismo no Amazonas é feito com muito esforço. Informar no interior exige enfrentar distâncias, rios, falta de estrutura e até ausência de carteira assinada”, afirmou Sinésio Campos.
Combate à desinformação
Um ponto central do pronunciamento foi a importância da categoria no combate às notícias falsas. Em um período onde a desinformação se espalha com rapidez, o trabalho de apuração rigorosa se torna o principal pilar para garantir que a população não seja enganada.
O deputado fez um reconhecimento específico aos servidores da Rádio e TV Assembleia, que realizam a cobertura diária das atividades legislativas. Segundo ele, proteger esses trabalhadores é uma forma direta de assegurar que a sociedade tenha acesso à informação correta e transparente sobre o que acontece no poder público.
Crítica e reflexão
Apesar da moção de parabenização anunciada pelo parlamentar, o cenário exige uma reflexão que vai além de homenagens anuais. A valorização real da categoria passa pela criação de políticas públicas que combatam a precarização denunciada na própria tribuna.
Garantir direitos trabalhistas e segurança para os jornalistas, especialmente os que estão na linha de frente no interior do Amazonas, é o que de fato fortalecerá a liberdade de imprensa. Sem condições dignas, o jornalismo corre o risco de se tornar uma atividade de heróis solitários, quando deveria ser um serviço público estruturado e protegido pelo Estado.
“Defender os jornalistas é defender a democracia e a liberdade de imprensa”, declarou o parlamentar ao encerrar sua fala.










