Empreendedorismo Cupuaçu deixa de ser descarte e impulsiona novos negócios na Amazônia

Cupuaçu deixa de ser descarte e impulsiona novos negócios na Amazônia

De cosméticos a doces artesanais e cupulate gourmet, negócios amazônicos mostram como o aproveitamento integral do cupuaçu movimenta renda e fortalece comunidades

Foto: Reprodução IA

Do caroço antes descartado às sementes transformadas em cupulate, o cupuaçu vem ganhando protagonismo em uma nova geração de negócios amazônicos. Marcas como ByEssence, Cupu do Quintal e KupuLatte mostram que ingredientes nativos podem unir inovação, impacto social e conservação da floresta. Essas iniciativas encontram apoio para escalar essa transformação na Jornada Amazônia, plataforma que atua no fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis por meio do empreendedorismo e da inovação.

ByEssence aposta em performance e bioeconomia com manteiga de cupuaçu

A marca de cosméticos naturais ByEssence encontrou na manteiga de cupuaçu um ingrediente fundamental para unir performance e propósito. O hidratante facial da empresa combina esse insumo amazônico ao óleo de rosa mosqueta e exemplifica como ativos da floresta podem entregar resultados visíveis para a pele enquanto geram impacto positivo na cadeia produtiva.

“A escolha pelo cupuaçu não foi apenas técnica, mas também estratégica. Além de oferecer hidratação profunda, o uso da manteiga obtida a partir do caroço – que seria descartado – contribui para valorizar comunidades extrativistas e manter a floresta em pé”, afirma Ana Cláudia de Sousa Araújo, sócia administradora da marca.

Segundo ela, a busca por ingredientes de origem natural e de alto desempenho é o que orienta a formulação dos produtos da marca, que aposta na sinergia entre ciência e biodiversidade.

No caso do hidratante, a combinação do cupuaçu com a rosa mosqueta resulta em um produto leve e de rápida absorção.

“É uma fórmula que entrega resultados reais, com ativos naturais e rastreáveis. O consumidor valoriza isso cada vez mais”, diz Ana.

A ByEssence trabalha com cooperativas da região Norte e mantém uma cadeia pautada por boas práticas.

“Essa relação direta garante qualidade e promove o desenvolvimento local. Quando remuneramos bem um insumo que antes era descartado, toda a cadeia se fortalece”, conclui.

Cupu do Quintal transforma quintais ribeirinhos em rede produtiva

Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Rio Negro, no Amazonas, o que antes era descartado agora se transforma em renda. A Cupu do Quintal desenvolve geleias, doces e cupulate a partir da polpa e do caroço do cupuaçu, adquiridos de famílias ribeirinhas. O negócio nasceu da observação de um potencial subaproveitado nos quintais da comunidade do Tumbira, no município de Iranduba, e se expandiu para áreas vizinhas da unidade de conservação.

“Nossa relação com os produtores é natural – somos vizinhas. Começamos comprando dos quintais próximos, depois organizamos polos com freezers nas casas das famílias para facilitar a logística e garantir a qualidade dos insumos”, conta Raquel Luna Viggiani, cofundadora da Cupu do Quintal.

A rede construída pela empresa articula dezenas de famílias que agora veem valor econômico em manter árvores nativas em seus quintais.

A empresa produz desde geleias até nibs e cupulate, além de já ter desenvolvido manteiga corporal artesanal.

“A polpa do cupuaçu já era conhecida, mas o caroço era totalmente descartado. Hoje ele é uma das nossas matérias-primas mais valiosas”, explica Raquel.

O investimento para estruturar a operação veio por meio do programa Sinapse da Bioeconomia.

“Sem o capital da Jornada Amazônia, provavelmente teríamos encerrado a operação. O programa nos permitiu estruturar polos de coleta, desenvolver novas embalagens, testar o cupulate e lançar nosso site. Foi essencial para continuarmos crescendo”, diz Raquel.

KupuLatte traz fermentação e inovação na fronteira do cupulate

No Amapá, a startup KupuLatte nasceu da curiosidade científica e evoluiu para um negócio de bioeconomia com foco em inovação de produto. Evelyn Melo da Silveira, fundadora da KupuLatte, iniciou os testes ainda na graduação em engenharia química, inspirada por um estudo da Embrapa que propunha a fermentação das sementes de cupuaçu como alternativa ao cacau.

“O cupulate não vem para competir com o chocolate de cacau. Ele representa uma alternativa, com sabor único, e uma oportunidade de valorizar uma cadeia ainda pouco explorada”, afirma Evelyn.

A marca já iniciou sua operação comercial e começa a se firmar como uma referência na produção do derivado amazônico. A principal dificuldade foi adaptar o processo produtivo para além do laboratório e enfrentar questões logísticas no Amapá.

“O Sinapse Bio nos deu ferramentas, mentores e capital semente. Foi nosso ponto de partida”, destaca.

Hoje, a matéria-prima vem de produtores locais e a equipe trabalha em estratégias para garantir o fornecimento durante a entressafra.

“Queremos nos tornar referência em produtos derivados do cupuaçu, e o cupulate é nossa porta de entrada”, diz Evelyn.

A KupuLatte também defende a valorização da semente como um ativo estratégico.

“Essas sementes não são resíduo: são riqueza. Promover seu reaproveitamento é parte de uma lógica de economia circular que queremos fortalecer na região amazônica”, conclui.

Jornada Amazônia promove a valorização da floresta em pé

Os três negócios mostram como ingredientes nativos podem ganhar escala e sofisticação sem romper com os valores da floresta. Essa lógica sustenta a atuação da Jornada Amazônia, iniciativa da Fundação CERTI que busca tornar a bioeconomia uma alternativa concreta ao modelo predatório na Amazônia.

“Ao apoiar negócios baseados na sociobiodiversidade, conectamos saber tradicional, inovação tecnológica e oportunidades de mercado. Produtos como os derivados do cupuaçu simbolizam esse novo ciclo de valorização da floresta em pé”, afirma Janice Maciel, coordenadora executiva da Jornada Amazônia.

A iniciativa opera em múltiplos estágios para tornar a bioeconomia um vetor de competitividade e desenvolvimento sustentável.

Assessoria de comunicação: Marina Martini

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