
A literatura amazônica rompe as barreiras do asfalto e ganha as salas de aula da zona rural de Manaus nesta quinta-feira, 9 de abril. O projeto “Fábulas e Apólogos da Amazônia” inicia sua jornada na Escola Municipal Professora Joana Vieira, situada no Ramal Água Branca I.
A iniciativa utiliza a obra das professoras Creuza Barbosa e Adriana Barbosa Silva para conectar estudantes aos valores da floresta, provando que o fomento cultural é uma ferramenta poderosa de transformação social quando chega onde o acesso é mais difícil.
Descentralização necessária
Um dos pontos mais relevantes desta ação é o foco na descentralização das políticas públicas. Historicamente, os grandes eventos culturais ficam restritos ao centro urbano de Manaus, deixando comunidades rurais à margem dessas oportunidades.
Ao levar contação de histórias e vivências artísticas para o km 32 da rodovia AM-010, o Instituto Manaós e o Governo do Amazonas reafirmam que o direito à cultura deve ser universal, independentemente da distância geográfica.

Eixos do projeto
A programação foi desenhada para ser interativa e educativa, fugindo do modelo tradicional de palestras cansativas. O objetivo é fazer com que a criança se enxergue nas narrativas regionais.
- Identidade cultural: valorização de histórias que reforçam a origem e os costumes do povo amazônida.
- Educação ambiental: discussões lúdicas sobre a preservação do meio ambiente e o papel de cada cidadão na proteção da fauna e flora.
- Cidadania ativa: estímulo à reflexão sobre direitos e deveres através de apólogos que trazem lições morais contemporâneas.
- Hábito da leitura: incentivo ao contato direto com o livro físico e com a interpretação de texto criativa.
Fomento e continuidade
A viabilização do projeto ocorre por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), via Edital nº 003/2025. O apoio do Fundo Estadual de Cultura (FEC) e do Ministério da Cultura demonstra que o investimento em “Pontos de Cultura”, como o Marquesiano, é essencial para manter a chama da arte acesa em todo o território.
No entanto, o desafio crítico que se impõe é garantir que essas ações não sejam isoladas. Para que a leitura floresça no interior, é preciso que projetos como este tenham continuidade e não dependam apenas de editais esporádicos.
Legado educacional
A obra de Creuza Barbosa e Adriana Barbosa Silva serve como alicerce para uma formação cultural que respeita a ancestralidade. Ao envolver os turnos da manhã e da tarde, o projeto garante uma cobertura ampla dentro da escola municipal, atingindo diferentes faixas etárias.
O resultado esperado vai além do entretenimento, busca formar leitores críticos que compreendam a importância de sua própria identidade cultural dentro do cenário nacional. Quando a escola e a cultura se abraçam no ramal, o futuro da Amazônia ganha novos horizontes mais conscientes e conectados com a terra.










