
A ilha de Cuba mergulhou na escuridão total neste sábado (21/3) ao registrar o sétimo apagão em apenas um ano e meio. O incidente deixou mais de 10 milhões de pessoas sem eletricidade em um cenário de escassez absoluta de petróleo que se arrasta desde janeiro. O governo local aponta o bloqueio de Washington como o principal culpado pela “Asfixia energética” que paralisou o país e gerou um efeito dominó na rede elétrica nacional.
A União Elétrica de Cuba confirmou que uma pane na central termelétrica de Nuevitas, em Camagüey, causou a desconexão total do sistema. O restabelecimento da energia é um processo penoso que exige o acionamento de fontes simples para alimentar gradualmente as grandes centrais. Em Havana, os moradores circulam pelas ruas apenas com a luz de celulares, uma cena que se tornou rotina em uma nação que sofre com a falta de manutenção básica.
A situação atual é agravada pela falta quase total de diesel e óleo combustível para os motores de geração distribuída. Sem combustível, a recuperação da rede se torna praticamente impossível. A infraestrutura cubana conta com centrais obsoletas das décadas de 1960 e 1970 que sofrem com um déficit crônico de investimento. Especialistas calculam que seriam necessários entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões para sanear o setor elétrico de forma definitiva.
No dia 29 de janeiro de 2026, Donald Trump assinou uma ordem executiva impondo sanções a qualquer país que forneça petróleo para a ilha. O presidente Miguel Díaz-Canel confirmou que nenhum carregamento chegou ao território nos últimos três meses. O impacto financeiro é devastador com o preço do combustível no mercado paralelo atingindo US$ 9 por litro. Encher um tanque de carro pode custar mais de US$ 300, valor que supera o salário anual da maior parte da população.
A pressão norte-americana se estendeu ao fornecimento vindo da Venezuela após a detenção de Nicolás Maduro em janeiro. Além disso, os Estados Unidos (EUA) tentaram vetar a passagem de cargueiros russos com diesel na última sexta-feira. Diante do caos, Trump descreveu Cuba como uma nação enfraquecida e mencionou a possibilidade de uma eventual intervenção ou uma “Tomada de controle amistosa” para gerir a ilha.
Apesar da crise humanitária que encurtou horários de trabalho e provocou a perda de alimentos por falta de refrigeração, Havana mantém a postura firme.
“O sistema político de Cuba não está sujeito a negociação”, afirmou Carlos Fernández de Cossío, vice-ministro das Relações Exteriores cubano.
Enquanto isso, uma coligação internacional de ativistas desembarcou no país para protestar contra as medidas de Washington e prestar solidariedade ao povo cubano.
A economia cubana encolheu mais de 15% desde 2020 e os apagões constantes funcionam como um gatilho para manifestações sociais. O governo mantém conversas bilaterais para identificar problemas, mas o alcance desses diálogos permanece em segredo. Sem uma solução imediata para a entrada de combustível ou um alívio nas sanções, a ilha segue enfrentando um dos períodos mais sombrios de sua história recente sob a constante sombra de um colapso social iminente.









