São Gabriel da Cachoeira Crise no Hospital de Guarnição de São Gabriel da Cachoeira vira alvo...

Crise no Hospital de Guarnição de São Gabriel da Cachoeira vira alvo de inquérito do MPAM

Município de São Gabriel da Cachoeira - Foto: Divulgação/TV Encontro das Águas

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) instaurou um inquérito civil para apurar falhas graves no atendimento do Hospital de Guarnição de São Gabriel da Cachoeira (HGuSGC). A decisão, tomada pelo promotor de Justiça Paulo Alexander dos Santos Beriba, ocorre após denúncias sobre a precariedade na única unidade de saúde desse porte no município.

O hospital opera por meio de um convênio entre a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) e o Exército Brasileiro. No entanto, a falta de profissionais está inviabilizando serviços essenciais, colocando em risco a vida da população local e das comunidades indígenas da região.

“O objetivo da medida é garantir a regularização do atendimento e a proteção do direito fundamental à vida e à saúde de toda a comunidade” afirmou o promotor de Justiça Paulo Alexander dos Santos Beriba.

Déficit de profissionais compromete 200 plantões em dez meses

Dados fornecidos pelo Comando da 12ª Região Militar e pela direção da unidade revelam um cenário alarmante no quadro de funcionários. A carência de pessoal atinge níveis críticos, impedindo que a escala de serviços seja cumprida integralmente.

Os números detalhados pela promotoria são os seguintes:

  • Carência de enfermeiros O déficit de profissionais nesta categoria chega a 57,1% do quadro necessário.
  • Falta de técnicos de enfermagem Existe uma carência de 18 profissionais, o que representa 29% do quadro ideal.
  • Plantões afetados Entre janeiro e outubro de 2025, a ausência de profissionais comprometeu 200 plantões na unidade.
  • Impacto no atendimento Pelo menos 55 atendimentos foram diretamente afetados por faltas injustificadas no período analisado.

Falhas na atenção primária elevam mortalidade materna e infantil

O inquérito também apura como as deficiências na infraestrutura e no atendimento contribuem para o aumento de óbitos fetais e neonatais em São Gabriel da Cachoeira. O Ministério Público aponta que a falha começa na Atenção Primária à Saúde (APS), que é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai).

A desassistência no pré-natal sobrecarrega o sistema secundário do hospital, resultando em mortes que poderiam ser evitadas. Diante disso, a SES-AM foi notificada a apresentar, em até 15 dias, um cronograma para a reposição imediata de enfermeiros e técnicos de enfermagem.

Além disso, a Semsa também foi acionada para explicar as estratégias de fortalecimento da cobertura básica e do acompanhamento pré-natal. O MPAM busca acompanhar não apenas a escala de pessoal, mas também a regularização da infraestrutura física do prédio hospitalar.

Fique por dentro

São Gabriel da Cachoeira é conhecido por ser o município com a maior população indígena do Brasil, o que torna o Hospital de Guarnição um ponto estratégico para a saúde pública no Alto Rio Negro. Por ser uma área de fronteira e difícil acesso, qualquer interrupção no serviço de saúde hospitalar obriga os pacientes a enfrentarem longos deslocamentos aéreos ou fluviais até Manaus, o que agrava os riscos em casos de urgência e emergência.

ASCOM: Vanessa Adna/MPAM

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