Coronel Menezes alerta para risco das emendas Pix e cobra fim de repasses sem controle

Coronel Menezes durante entrevista à rádio Jovem Pan News Manaus, nesta sexta-feira, onde criticou a falta de fiscalização nas emendas Pix – Foto: Divulgação

As recentes operações da Polícia Federal que resultaram na apreensão de grandes volumes de dinheiro em espécie com figuras políticas trouxeram novamente ao centro do debate a fragilidade dos mecanismos de controle sobre os recursos públicos. Nesse cenário de desconfiança, as transferências especiais conhecidas como emendas Pix tornaram-se o principal alvo de críticas devido à falta de rastreabilidade. Em entrevista recente à rádio Jovem Pan News Manaus, realizada nesta sexta-feira (16 de janeiro de 2026), o Coronel Menezes, presidente municipal do Progressistas, reforçou sua postura contrária a essa modalidade de repasse.

Para o pré-candidato a deputado federal, o modelo atual representa um retrocesso na fiscalização do dinheiro que sai do bolso do contribuinte. Enquanto as emendas tradicionais exigem projetos estruturados e vinculação a metas específicas, as transferências diretas permitem que o recurso chegue ao destino sem a obrigação imediata de um plano de trabalho detalhado, o que dificulta o acompanhamento por parte dos órgãos de controle e da própria sociedade civil.

“A emenda Pix é um assalto ao contribuinte, pois libera o dinheiro do povo sem exigir projetos, fiscalização ou compromisso com o bem comum”

A fragilidade do controle e o alerta do judiciário

O ponto central da crítica reside na diferença fundamental entre o modelo convencional de emendas e o sistema PIX. Na modalidade tradicional, o parlamentar indica a finalidade da verba, como a construção de uma escola ou a compra de equipamentos hospitalares, o que gera uma trilha documental de prestação de contas. Já nas emendas pix, o dinheiro é liberado diretamente para o caixa de estados e municípios, muitas vezes sem a devida transparência sobre como será efetivamente aplicado.

Essa ausência de clareza acendeu um alerta vermelho no Supremo Tribunal Federal (STF). O judiciário tem exigido que o Congresso Nacional estabeleça critérios mais rígidos para esses repasses, visando evitar que o orçamento público seja pulverizado sem que se saiba o impacto real na vida do cidadão. Coronel Menezes classificou o modelo como um assalto ao pagador de impostos, argumentando que a falta de um vínculo obrigatório com obras ou serviços essenciais abre portas para desvios de finalidade.

Fatos recentes e o cenário de fiscalização em 2026

O debate ganha contornos mais graves quando analisamos o histórico de irregularidades detectadas pela Controladoria-Geral da União (CGU). Auditorias recentes apontaram que uma parte considerável desses recursos não possui comprovação de execução, o que corrobora o temor de que as verbas estejam sendo utilizadas para fins eleitorais ou interesses privados.

  • O Tribunal de Contas da União (TCU) intensificou o monitoramento sobre prefeituras que receberam altos volumes de emendas Pix sem apresentar projetos básicos.
  • O Congresso Nacional sofre pressão para aprovar novas regras que obriguem a identificação detalhada do beneficiário final de cada real transferido.
  • A população tem utilizado cada vez mais ferramentas digitais para tentar rastrear se o dinheiro prometido para a saúde e educação realmente chegou às comunidades locais.

A responsabilidade do eleitor na guarda do dinheiro público

A declaração de Menezes também ressalta um dever cívico que vai além das urnas. A fiscalização social é apresentada como a última barreira contra a corrupção. Quando um parlamentar destina recursos para um município, é obrigação da sociedade local cobrar onde esse dinheiro foi aplicado e quais foram os benefícios reais gerados para a segurança, educação ou infraestrutura da região.

O compromisso com a transparência não deve ser apenas um discurso político, mas uma prática institucional. Defender o fim ou a reforma profunda das emendas Pix é, acima de tudo, defender que cada centavo do imposto pago pelo brasileiro seja transformado em melhorias visíveis e auditáveis. Sem transparência, o sistema democrático perde sua força e a confiança do cidadão no uso correto dos recursos do país permanece abalada.

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