Contratos com frigoríficos mudam a vida de mais de 10 mil pescadores no Amazonas

Frigorífico flutuante operando no interior do Amazonas para o recebimento e processamento do pescado proveniente do manejo sustentável nas comunidades ribeirinhas – Foto: Divulgação

A legalização das compras via contratos assinados entre frigoríficos de médio e de grande porte e as associações ou cooperativas de pescadores locais está transformando a realidade dos ribeirinhos no Amazonas. A incerteza do passado deu lugar a acordos definidos com valores e datas de pagamento acordados com antecedência. Atualmente, esses contratos permanentes e a segurança do pagamento em dia contribuem diretamente para a evolução socioeconômica de mais de 10 mil profissionais da pesca.

Os peixes adquiridos de pescadores de diversos municípios estão abastecendo mercados em grande parte do Brasil e em outros países como Peru, Colômbia e Estados Unidos. Anualmente, são exportadas milhares de toneladas de peixes retirados dos rios da Amazônia seguindo as normas determinadas pelos órgãos de proteção ambiental.

A rede de produção envolve cidades como:

  • Manacapuru (distante 98 quilômetros de Manaus via estrada)
  • Beruri (distante 173 quilômetros de Manaus)
  • Anamã (distante 165 quilômetros de Manaus)
  • Fonte Boa (distante 678 quilômetros de Manaus)
  • Maraã (distante 634 quilômetros de Manaus)
  • Parintins (distante 369 quilômetros de Manaus)

Profissionalização e evolução dos ganhos nas comunidades

Segundo o pescador Leandro Seixas, de 42 anos, que é coordenador de pesca do Lago Cuianã, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) “Piagaçu-Purus”, em Beruri, o frigorífico “Frigopesca” contribuiu para a profissionalização da atividade. Ele recorda que no início do manejo cada pescador ganhava apenas R$ 100 e não havia materiais adequados. A empresa forneceu os equipamentos e disponibilizou barcos para buscar o pescado sem custos para os ribeirinhos. Naquela época, o primeiro pagamento total foi de R$ 11 mil.

Com o passar dos anos, os valores foram corrigidos e o volume de vendas aumentou significativamente. Hoje, o faturamento anual da comunidade chega a quase R$ 1 milhão. Na última safra, os pescadores receberam conforme a produtividade individual, com valores oscilando entre R$ 5 mil e R$ 20 mil. Leandro destaca que esse retorno financeiro ajudou a construir a reserva e a proteger a natureza, que ele considera sua segunda família.

Melhoria na qualidade de vida e o fim da sobrecarga de trabalho

A entrada dos frigoríficos nas comunidades permitiu que muitos ribeirinhos deixassem para trás as casas de palha que possuíam há 14 anos. Atualmente, os moradores possuem residências de boa qualidade e equipadas com freezers, geladeiras, televisores de última geração, fogões e pequenos eletrodomésticos. Além disso, muitos adquiriram motocicletas, motores do tipo rabeta e até barcos de propriedade coletiva.

Raimundo Vidinha, de 56 anos e pescador desde os 11, explica que a parceria acabou com a sobrecarga de trabalho. Antigamente, os pescadores passavam semanas no rio e, ao chegar em casa, ainda precisavam tratar e secar o peixe para a salga. Agora, o peixe é entregue diretamente no barco da empresa com um preço melhor.

Outro benefício citado por Amarilson Bastos, de 39 anos, foi o fim dos prejuízos causados por compradores clandestinos que adquiriam o peixe e não pagavam. Os contratos formais trouxeram a segurança que faltava.

Expansão do mercado e o aproveitamento integral do pirarucu

O empresário Raimundo Chikó, proprietário da “Frigopesca”, ressalta que o fluxo financeiro gerado pela pesca de manejo permitiu que quase todos os comunitários possuam seu próprio material e geradores de energia. Além da “Frigopesca”, outras empresas como a “Bio Pescados da Amazônia”, com sede em Iranduba, e a “Friolins”, situada em Manacapuru, operam na região com certificações rigorosas como o SIF e o FDA.

Raimundo Lima de Souza, proprietário da “Friolins”, revela que sua empresa fatura cerca de R$ 25 milhões anualmente com o pescado amazonense. Em 2025, foram adquiridas 220 toneladas de pirarucu apenas em Beruri, beneficiando cerca de 300 pescadores.

Além do pirarucu, a cadeia produtiva inclui espécies como:

  • Dourado
  • Filhote
  • Jaú
  • Pirarara

Um novo motor para o setor é o aproveitamento da pele do pirarucu, que atinge valores entre R$ 160 e R$ 180 por unidade (com peso entre 8 e 10 quilos). As peles são usadas em biojoias, sapatos e bolsas de luxo. Com parcerias em São Paulo e no Rio de Janeiro, cerca de 40 a 50 mil peles são exportadas anualmente para os Estados Unidos, México e Europa. O peixe amazonense, através do trabalho de empresários como Raimundo Silva, também chega a Brasília (DF), Goiânia (GO), Minas Gerais, Singapura e Malásia.

ASCOM: Shirley Assis

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