
O Edital Mulheres em Movimento 2024 – por Democracia, Justiça de Gênero e Climática, realizado em parceria entre o ELAS+ Doar para Transformar e a ONU Mulheres, selecionou 62 organizações e grupos liderados por mulheres de todas as regiões do Brasil para receber até R$ 50 mil de apoio flexível para fortalecimento institucional. Dos quase 2 mil inscritos, cinco grupos amazonenses foram escolhidos, sendo três da capital, Manaus, um de Benjamin Constant e um da cidade de São Gabriel da Cachoeira.
As organizações compartilham a missão de promover direitos e justiça para comunidades marginalizadas, com foco na inclusão e empoderamento. Todas se dedicam a fortalecer suas comunidades por meio de ações coletivas, abordando questões de direitos humanos, justiça social e preservação ambiental. Seus objetivos incluem a promoção da autonomia financeira e social, a defesa de direitos específicos, a preservação cultural artesanal indígena e a recuperação e proteção do meio ambiente, com ênfase na capacitação e na construção de um impacto duradouro nas áreas que atendem.
Esta é a oitava edição do programa, que chega ao montante de R$ 3 milhões para distribuir entre grupos que, com ou sem registro formal (CNPJ), atuam na defesa da democracia e apoiame questões como a luta antirracista, reivindicam direitos LBTIs, trabalhistas, direito à moradia, à saúde e à cidade, propugnando por justiça climática e ambiental, que inclui até a introdução de moda justa e sustentável. . As organizações selecionadas estão em todo o território nacional, sendo 11 na região Norte, 26 no Nordeste, 3 no Centro-Oeste, 16 no Sudeste e 6 no Sul. O edital tem apoio de Channel Foundation, Equality Fund, Fondation Chanel e Levi Strauss Foundation.
As organizações trabalham em frentes diferentes, por meio de abordagens coletivas e integradas. Para indicar os grupos, foi levada em consideração a relevância estratégica de cada um para as comunidades, em sua área de atuação e no universo do movimento social.
No Amazonas, uma das duas organizações que não têm sede na capital é a Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (Assai), grupo de artesãs indígenas que visa preservar e promover a cultura dos povos de São Gabriel da Cachoeira (AM), além de incentivar a autonomia financeira das mulheres na região. Por meio da confecção de peças artesanais, o grupo restabelece a conexão com a floresta e solidifica o trabalho colaborativo dentro da comunidade.
O Coletivo Mulheres e Jovens Tikuna Plantando Futuro, criado durante uma reunião da Associação das Mulheres Indígenas Ticuna (AMIT), se dedica a unir as lutas de mulheres, jovens e pessoas com deficiência a favor da preservação ambiental e na luta contra as mudanças climáticas. Tem sede na cidade de Benjamin Constant e seu principal projeto é plantar 20 mil árvores para restaurar os igarapés na região do Rio Solimões, que sofreu grande perda após período de seca em 2023. O objetivo é preparar a área para futuros eventos climáticos.
Em Manaus, a Associação Manifesta LGBT+ estabeleceu a Casa Miga LGBT+ para fornecer acolhimento e assistência a indivíduos da comunidade em situação de vulnerabilidade social. A organização visa promover a inclusão e defender os direitos humanos dessa população vulnerável, realizando atividades que vão desde rodas de conversa até capacitação profissional e ações de conscientização socioambiental.
Fundado em 2019 na capital amazonense, o Coletivo Entre Elas Defensoras de Direitos Humanos do Amazonas se dedica a apoiar e fornecer orientação jurídica a familiares e amigos de pessoas privadas da liberdade. Formado principal e majoritariamente por mulheres, o coletivo trabalha para fortalecer a autonomia feminina, com atuação focada na incidência política e na formação de defensoras de direitos humanos na Amazônia.
A terceira iniciativa escolhida em Manaus é o Palmares Laboratório Ação. Fundado com o propósito de moldar o papel dos jovens na construção de um futuro mais equitativo, busca influenciar e articular a criação e a implementação de políticas públicas a partir da visão das juventudes amazônicas. Com o uso de tecnologias, o laboratório trabalha para promover justiça social e reduzir desigualdades, focando nas regiões Norte e Nordeste do Brasil e envolvendo especialmente jovens LGBT+, negras e indígenas.
“O Edital Mulheres em Movimento 2024 – por Democracia, Justiça de Gênero e Climática, mais uma vez, coloca em prática aquilo em que o ELAS+ acredita. As mulheres, em toda sua diversidade, conhecem suas realidades, seus territórios, seus desafios, e têm para isso soluções sociais e ambientais. O que elas precisam é de apoio para colocar em prática ou continuar fazendo o que já fazem. A riqueza das propostas recebidas de todas as regiões do Brasil é emocionante!”, diz Savana Brito, diretora executiva do ELAS+.
Ao longo de seus quase 25 anos, o ELAS+ já apoiou mais de 1,2 mil grupos e organizações. Lançado em 2017, o Mulheres em Movimento é o maior programa do fundo e trabalha com recursos direcionados a iniciativas e soluções sociais desenvolvidas e lideradas por mulheres. As atividades propostas no Edital iniciaram em agosto com uma reunião virtual de boas-vindas e apresentação do programa. Os grupos serão acompanhados pelo ELAS+, com encontros virtuais e presenciais, como o Diálogo Mulheres em Movimento, que reúne os grupos financiados para que tenham a oportunidade de construir conjuntamente, entre os diversos segmentos, análises de conjuntura, estratégias coletivas e alianças que impulsionam o seu desenvolvimento. A ação está prevista para maio de 2025.
Sobre o ELAS+
O ELAS+ Doar para Transformar foi o primeiro fundo a investir exclusivamente na promoção do protagonismo das mulheres, pessoas trans, não binárias. Reconhece toda a multiplicidade e singularidade desse universo. A organização é um fundo de justiça social e ambiental, feminista e antirracista, que investe no fortalecimento de organizações e grupos liderados por mulheres cis, trans e outras transidentidades. Apoia organizações que movem e sustentam a economia e as relações sociais nas suas localidades, promovem impacto social positivo em comunidades, cidades, estados, apoiando a transformação coletiva da sociedade. Mobiliza recursos no Brasil e no exterior, com empresas, governos, fundações, organismos internacionais e pessoas físicas para aplicá-los no fortalecimento de organizações, com ou sem CNPJ. A atuação se dá no ecossistema de filantropia para justiça social e tem o tamanho do Brasil, já que apoia organizações nas cinco regiões do país.
Agência Lema











