Conheça as cinco organizações escolhidas para a 8ª edição do Edital Mulheres em Movimento

Missão de grupos selecionados vai desde preservação cultural indígena até utilização de tecnologias que articulem políticas públicas pensadas para os jovens da Amazônia

Encontro Diálogo Mulheres em Movimento 2024 promovido pelo ELAS+ com os grupos apoiados no edital de 2023 - Foto: Acervo ELAS+

O Edital Mulheres em Movimento 2024 – por Democracia, Justiça de Gênero e Climática, realizado em parceria entre o ELAS+ Doar para Transformar e a ONU Mulheres, selecionou 62 organizações e grupos liderados por mulheres de todas as regiões do Brasil para receber até R$ 50 mil de apoio flexível para fortalecimento institucional. Dos quase 2 mil inscritos, cinco grupos amazonenses foram escolhidos, sendo três da capital, Manaus, um de Benjamin Constant e um da cidade de São Gabriel da Cachoeira.

As organizações compartilham a missão de promover direitos e justiça para comunidades marginalizadas, com foco na inclusão e empoderamento. Todas se dedicam a fortalecer suas comunidades por meio de ações coletivas, abordando questões de direitos humanos, justiça social e preservação ambiental. Seus objetivos incluem a promoção da autonomia financeira e social, a defesa de direitos específicos, a preservação cultural artesanal indígena e a recuperação e proteção do meio ambiente, com ênfase na capacitação e na construção de um impacto duradouro nas áreas que atendem.

Esta é a oitava edição do programa, que chega ao montante de R$ 3 milhões para distribuir entre grupos que, com ou sem registro formal (CNPJ), atuam na defesa da democracia e apoiame questões como a luta antirracista, reivindicam direitos LBTIs, trabalhistas, direito à moradia, à saúde e à cidade, propugnando por justiça climática e ambiental, que inclui até a introdução de moda justa e sustentável. . As organizações selecionadas estão em todo o território nacional, sendo 11 na região Norte, 26 no Nordeste, 3 no Centro-Oeste, 16 no Sudeste e 6 no Sul. O edital tem apoio de Channel Foundation, Equality Fund, Fondation Chanel e Levi Strauss Foundation.

As organizações trabalham em frentes diferentes, por meio de abordagens coletivas e integradas. Para indicar os grupos, foi levada em consideração a relevância estratégica de cada um para as comunidades, em sua área de atuação e no universo do movimento social.

No Amazonas, uma das duas organizações que não têm sede na capital é a Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (Assai), grupo de artesãs indígenas que visa preservar e promover a cultura dos povos de São Gabriel da Cachoeira (AM), além de incentivar a autonomia financeira das mulheres na região. Por meio da confecção de peças artesanais, o grupo restabelece a conexão com a floresta e solidifica o trabalho colaborativo dentro da comunidade.

O Coletivo Mulheres e Jovens Tikuna Plantando Futuro, criado durante uma reunião da Associação das Mulheres Indígenas Ticuna (AMIT), se dedica a unir as lutas de mulheres, jovens e pessoas com deficiência a favor da preservação ambiental e na luta contra as mudanças climáticas. Tem sede na cidade de Benjamin Constant e seu principal projeto é plantar 20 mil árvores para restaurar os igarapés na região do Rio Solimões, que sofreu grande perda após período de seca em 2023. O objetivo é preparar a área para futuros eventos climáticos.

Em Manaus, a Associação Manifesta LGBT+ estabeleceu a Casa Miga LGBT+ para fornecer acolhimento e assistência a indivíduos da comunidade em situação de vulnerabilidade social. A organização visa promover a inclusão e defender os direitos humanos dessa população vulnerável, realizando atividades que vão desde rodas de conversa até capacitação profissional e ações de conscientização socioambiental.

Fundado em 2019 na capital amazonense, o Coletivo Entre Elas Defensoras de Direitos Humanos do Amazonas se dedica a apoiar e fornecer orientação jurídica a familiares e amigos de pessoas privadas da liberdade. Formado principal e majoritariamente por mulheres, o coletivo trabalha para fortalecer a autonomia feminina, com atuação focada na incidência política e na formação de defensoras de direitos humanos na Amazônia.

A terceira iniciativa escolhida em Manaus é o Palmares Laboratório Ação. Fundado com o propósito de moldar o papel dos jovens na construção de um futuro mais equitativo, busca influenciar e articular a criação e a implementação de políticas públicas a partir da visão das juventudes amazônicas. Com o uso de tecnologias, o laboratório trabalha para promover justiça social e reduzir desigualdades, focando nas regiões Norte e Nordeste do Brasil e envolvendo especialmente jovens LGBT+, negras e indígenas.

“O Edital Mulheres em Movimento 2024 – por Democracia, Justiça de Gênero e Climática, mais uma vez, coloca em prática aquilo em que o ELAS+ acredita. As mulheres, em toda sua diversidade, conhecem suas realidades, seus territórios, seus desafios, e têm para isso soluções sociais e ambientais. O que elas precisam é de apoio para colocar em prática ou continuar fazendo o que já fazem. A riqueza das propostas recebidas de todas as regiões do Brasil é emocionante!”, diz Savana Brito, diretora executiva do ELAS+.

Ao longo de seus quase 25 anos, o ELAS+ já apoiou mais de 1,2 mil grupos e organizações. Lançado em 2017, o Mulheres em Movimento é o maior programa do fundo e trabalha com recursos direcionados a iniciativas e soluções sociais desenvolvidas e lideradas por mulheres. As atividades propostas no Edital iniciaram em agosto com uma reunião virtual de boas-vindas e apresentação do programa. Os grupos serão acompanhados pelo ELAS+, com encontros virtuais e presenciais, como o Diálogo Mulheres em Movimento, que reúne os grupos financiados para que tenham a oportunidade de construir conjuntamente, entre os diversos segmentos, análises de conjuntura, estratégias coletivas e alianças que impulsionam o seu desenvolvimento. A ação está prevista para maio de 2025.

Sobre o ELAS+

O ELAS+ Doar para Transformar foi o primeiro fundo a investir exclusivamente na promoção do protagonismo das mulheres, pessoas trans, não binárias. Reconhece toda a multiplicidade e singularidade desse universo. A organização é um fundo de justiça social e ambiental, feminista e antirracista, que investe no fortalecimento de organizações e grupos liderados por mulheres cis, trans e outras transidentidades. Apoia organizações que movem e sustentam a economia e as relações sociais nas suas localidades, promovem impacto social positivo em comunidades, cidades, estados, apoiando a transformação coletiva da sociedade. Mobiliza recursos no Brasil e no exterior, com empresas, governos, fundações, organismos internacionais e pessoas físicas para aplicá-los no fortalecimento de organizações, com ou sem CNPJ. A atuação se dá no ecossistema de filantropia para justiça social e tem o tamanho do Brasil, já que apoia organizações nas cinco regiões do país.

Agência Lema

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