Itacoatiara Comunidade quilombola de Itacoatiara ainda enfrenta dificuldade para ter água potável

Comunidade quilombola de Itacoatiara ainda enfrenta dificuldade para ter água potável

Foto: Alex Maia 

O acesso à água potável ainda é um desafio de cidadania para populações tradicionais no interior do Amazonas. Entre os dias 10/03 e 11/03, a Companhia de Saneamento do Amazonas realizou um diagnóstico técnico detalhado no sistema de abastecimento da Comunidade Quilombola Sagrado Coração de Jesus do Lago de Serpa, em Itacoatiara.

O levantamento revela uma realidade preocupante para as cerca de 60 famílias que residem na localidade: a falta de tratamento estruturado e a dependência de infraestruturas obsoletas.

A ação foi motivada por uma solicitação da Controladoria Geral do Estado e busca subsidiar a futura implementação do Projeto Água Boa. Para os 300 moradores da zona rural de Itacoatiara, município localizado a 270 quilômetros de Manaus, a visita técnica representa a esperança de interromper o ciclo de consumo de água sem as garantias sanitárias ideais, uma demanda que afeta diretamente a saúde das crianças e idosos da região.

Retrato da precariedade hídrica

O diagnóstico hidrogeomorfológico conduzido pela equipe técnica identificou falhas críticas que comprometem a segurança hídrica da comunidade. A ausência de um sistema de tratamento centralizado obriga os moradores a buscarem alternativas por conta própria, muitas vezes recorrendo diretamente ao lago, o que aumenta o risco de doenças de veiculação hídrica.

A situação da infraestrutura escolar também acende um alerta. O poço que atende aos estudantes possui mais de 20 anos de uso sem a manutenção técnica periódica necessária para garantir a qualidade do que é consumido pelos alunos.

Embora o Agente Comunitário de Saúde realize a distribuição de hipoclorito para a desinfecção doméstica, essa medida é considerada apenas um paliativo diante da complexidade do problema.

Desafios estruturais encontrados

O levantamento técnico da Companhia de Saneamento do Amazonas detalhou os principais gargalos que impedem a chegada de água de qualidade nas residências quilombolas:

  • Inexistência de sistema de tratamento: todos os poços avaliados carecem de filtros ou processos químicos de purificação.
  • Subutilização de equipamentos: um reservatório com capacidade para 2 mil litros foi encontrado inativo, sem integração com a rede de distribuição.
  • Captação direta no lago: parte da população ainda utiliza a água bruta da natureza para consumo humano e higiene pessoal.
  • Longevidade excessiva dos poços: a estrutura que abastece a escola comunitária já ultrapassou duas décadas de operação contínua sem reformas.

“Nossa equipe está realizando um diagnóstico hidrogeomorfológico dessa área, onde vamos avaliar as condições físicas e da qualidade da água para uma possível implantação do projeto Água Boa, na perspectiva do saneamento rural que busca atender as comunidades rurais, ribeirinhas, indígenas, quilombolas e garantindo que os povos da floresta tenham acesso à cidadania”, afirmou Camila Fuziel, gerente de Saneamento Rural da Companhia de Saneamento do Amazonas.

Caminho para a dignidade hídrica

O mapeamento técnico definiu cinco pontos estratégicos para a coleta de amostras, cujos resultados serão fundamentais para verificar a potabilidade da água. A iniciativa do Governo do Amazonas busca agora transformar esses dados em um plano de execução que integre a comunidade ao saneamento rural, promovendo o que os técnicos chamam de cidadania hídrica.

A implantação do Projeto Água Boa na região quilombola de Itacoatiara é vista como uma estratégia de desenvolvimento social essencial. Quando o estado identifica e mapeia essas lacunas, ele dá o primeiro passo para corrigir uma dívida histórica com as populações tradicionais. O objetivo final é garantir que o conforto da torneira e a segurança de uma água tratada deixem de ser um privilégio urbano e se tornem uma realidade no Lago de Serpa.

Fique por dentro

A Companhia de Saneamento do Amazonas concluiu um diagnóstico técnico na Comunidade Quilombola Sagrado Coração de Jesus em Itacoatiara para mapear as condições de abastecimento de 300 moradores. O levantamento identificou que poços com mais de 20 anos e o consumo direto de água do lago são os principais riscos à saúde local.

O estudo servirá de base para o Projeto Água Boa que visa implantar sistemas de tratamento modernos e redes de distribuição integradas nas comunidades tradicionais e ribeirinhas do estado para garantir saúde e dignidade aos povos da floresta.

Fonte: https://www.agenciaamazonas.am.gov.br/noticias/cosama-elabora-diagnostico-do-abastecimento-de-agua-em-comunidade-quilombola-de-itacoatiara/

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