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Combate à misoginia nas escolas de Manaus pode ser o divisor de águas contra a violência de gênero

Vereador Zé Ricardo - Foto: Divulgação/Assessoria

A Câmara Municipal de Manaus (CMM) começou a analisar uma proposta que toca na ferida das estatísticas de violência contra a mulher no Amazonas. O projeto de lei apresentado pelo vereador Zé Ricardo (PT) sugere a criação do “Programa de Enfrentamento à Misoginia” nas escolas municipais.

A ideia é atacar o problema antes que ele se torne um boletim de ocorrência, focando na base da formação de crianças e adolescentes. Em um estado onde os índices de feminicídio e agressões domésticas ainda desafiam as autoridades, levar esse debate para a sala de aula não é apenas uma escolha pedagógica, mas uma medida de segurança pública.

Raízes do problema

A misoginia, que nada mais é do que o ódio ou desprezo pelas mulheres, não nasce do dia para o outro. Ela se manifesta em piadas, exclusões e comportamentos que, muitas vezes, são normalizados no ambiente escolar.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública reforçam que a violência psicológica e o assédio começam cedo, muitas vezes ainda na adolescência. O ambiente digital também se tornou um terreno fértil para ataques que minam a autoestima de meninas, o que torna a intervenção institucional urgente.

“Não podemos aceitar que meninas cresçam em ambientes marcados pelo desrespeito, pela violência simbólica e pela desigualdade”, afirmou Zé Ricardo.

Segundo o parlamentar, o objetivo é substituir a estrutura histórica de preconceito por uma cultura de paz.

Estratégias do programa

O diferencial da proposta é não ficar apenas na teoria dos livros didáticos. O projeto prevê uma abordagem transversal, o que significa que o tema deve permear diferentes disciplinas e momentos do ano letivo.

  • Ações lúdicas: uso de oficinas de teatro e jogos cooperativos para ensinar sobre igualdade de forma prática.
  • Rodas de conversa: espaços de fala para que estudantes possam debater desigualdades e identificar comportamentos tóxicos.
  • Mundo digital: orientações específicas sobre o uso ético das redes sociais e o combate ao cyberbullying de gênero.
  • Apoio psicológico: oficinas voltadas ao fortalecimento psicossocial das alunas, ajudando na identificação de sinais de abuso.
  • Pensamento crítico: estímulo à reflexão sobre as estruturas que sustentam a desigualdade de gênero na sociedade.

Desafios e expectativas

A proposta agora enfrenta o crivo das comissões da CMM, onde deve passar por debates sobre sua implementação prática e viabilidade orçamentária. Criticar o projeto como “doutrinação” seria ignorar a realidade cruel enfrentada por milhares de mulheres manauaras.

Por outro lado, para que a lei não se torne apenas um pedaço de papel, o poder público precisará investir na capacitação dos professores e no suporte às famílias.

Enfrentar a misoginia na escola é reconhecer que a educação é a ferramenta mais eficaz para desconstruir o machismo estrutural.

Se aprovado, Manaus pode dar um passo importante para formar cidadãos que respeitem as diferenças e, consequentemente, reduzir a violência que hoje vitima tantas famílias em nossa cidade.

O foco é transformar a escola no espaço estratégico onde o respeito deixa de ser um conceito e passa a ser uma prática diária.

ASCOM: Jane Coelho

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