
O acesso a serviços especializados de saúde para as mulheres no Amazonas vive um momento de transformação estrutural. Dados recentes apontam que o estado registrou uma queda de 49,2% no índice de mortalidade materna em 2024 quando comparado ao ano anterior.
Este é o melhor resultado da última década e coloca o Amazonas em uma posição de destaque na rede de assistência materno-infantil. O cenário é fruto de um conjunto de investimentos que envolvem desde a modernização de maternidades até a interiorização de exames complexos.
A estratégia do Governo do Amazonas foca em reduzir a demanda reprimida acumulada ao longo de anos. Além de bater recordes na redução de óbitos o estado também conseguiu zerar a fila para exames de mamografia na regulação. Para a secretária de Estado de Saúde Nayara Maksoud o foco é o diagnóstico precoce.
“Aqui no estado do Amazonas nós temos todo cuidado e um olhar muito especial para fazer com que a saúde da mulher seja prioridade. Quando a mulher tem acesso a consultas, exames e cirurgias em tempo oportuno, trabalhamos também a detecção precoce para poder agir rápido e salvar cada vez mais vidas”, destacou a secretária.

Inovação no combate ao câncer
Um dos pilares dessa nova fase é a inauguração do Centro Avançado de Prevenção ao Câncer do Colo do Útero (Cepcolu). Anexo à Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon) a unidade é a primeira do Brasil dedicada exclusivamente à realização de conizações. Esse procedimento cirúrgico é vital para tratar lesões pré-malignas causadas pelo HPV antes que elas evoluam para um câncer.
Com capacidade para realizar até 3 mil procedimentos por ano o Cepcolu dobrou a oferta desse serviço no estado. Somado a isso a FCecon recebeu novos equipamentos de alta tecnologia como arcos cirúrgicos e aparelhos de ultrassonografia de alta definição que garantem imagens em tempo real durante as operações aumentando a precisão dos diagnósticos e tratamentos.

Saúde digital rompe barreiras geográficas
O desafio logístico de levar medicina especializada para as calhas dos rios amazônicos está sendo enfrentado com o programa Saúde AM Digital. A iniciativa oferece até 20 mil atendimentos mensais via telemedicina permitindo que mulheres em comunidades remotas consultem ginecologistas sem precisar enfrentar longas viagens até Manaus.
Atualmente dezenas de salas de telessaúde estão distribuídas pelo interior conectando pacientes a especialistas da capital. Essa digitalização das rotinas assistenciais e administrativas busca reduzir as desigualdades regionais e garantir que o Cepcolu e outras unidades de referência sejam acessíveis a todas as amazonenses independentemente de onde vivam.
Prevenção de nova geração
O Amazonas também saiu na frente na implementação do novo método de rastreio para o câncer de colo de útero. Em Manacapuru (a 88 quilômetros de Manaus) foi iniciada a capacitação para o uso do teste DNA HPV.
- Precisão: o novo teste identifica o risco de desenvolvimento de câncer com até dez anos de antecedência.
- Intervalo: por ser mais sensível o método permite um maior intervalo entre os exames seguindo os protocolos clínicos.
- Eficiência: otimiza a organização da rede ao focar o atendimento em pacientes com maior risco detectado pelo DNA do vírus.
Mutirões de impacto
Recentemente uma grande mobilização nacional em parceria com o Ministério da Saúde resultou em mais de mil atendimentos em apenas dois dias no Amazonas. A ação envolveu 15 unidades de saúde entre a capital e o interior além do suporte logístico das Carretas da Saúde e do Barco Hospital São João XXIII. Foram realizadas desde cirurgias ginecológicas até mamografias e consultas especializadas.
Embora os números sejam positivos o desafio de manter a constância desses serviços é diário. O fortalecimento de unidades como o Instituto da Mulher Dona Lindu que oferece assistência 24 horas e a formação de novos profissionais por meio da residência multiprofissional são passos que indicam um caminho de continuidade.
A meta agora é consolidar esses indicadores para que a saúde da mulher deixe de ser baseada em mutirões e se torne uma rede de prevenção permanente e onipresente em todo o território amazonense.










