
A Zona Franca de Manaus (ZFM) completa 59 anos em 2026 e o debate sobre sua utilidade ganha um novo fôlego. Longe de ser apenas um pacote de benefícios fiscais para grandes empresas, o modelo se consolidou como uma engrenagem social que sustenta desde a universidade pública até o pequeno produtor no interior do estado. Com R$ 19,9 bilhões em investimentos aprovados recentemente, o Amazonas mostra que sabe transformar incentivo industrial em dignidade para o povo.
O dinamismo atual passa diretamente pelo Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam). Sob a coordenação da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), o órgão aprovou 840 projetos industriais entre 2023 e 2025. Esse volume supera com folga o ciclo anterior e reflete uma confiança renovada no Polo Industrial de Manaus (PIM).
Mais do que números frios, estamos falando de 24.618 novos postos de trabalho. O modelo não apenas atrai fábricas, mas exige contrapartidas que alimentam fundos estratégicos para o desenvolvimento regional, como o Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas (FTI).
Educação garantida
Um dos maiores trunfos da ZFM é o financiamento da educação superior. A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) é mantida quase integralmente por recursos vindos da indústria. Em 2026, impressionantes 97,7% do orçamento da instituição dependem diretamente do modelo econômico.
Na prática, são mais de 26 mil alunos de graduação e pós-graduação que estudam de graça graças às empresas instaladas em Manaus.
“O que nós estamos fazendo é garantir que a riqueza gerada pelo Polo Industrial retorne para o povo do Amazonas. Retorne em crédito para o pequeno empreendedor, em recursos para o interior, em investimento em pesquisa e inovação. Esse é o sentido do modelo”, afirma o secretário Serafim Corrêa.
Crédito no interior
A descentralização da riqueza também é uma marca dessa gestão. A Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) já injetou mais de R$ 915 milhões na economia por meio de crédito orientado. Grande parte desse valor vem do Fundo de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e ao Desenvolvimento Social do Estado do Amazonas (FMPES), que é abastecido pela dinâmica industrial.
Essas operações alcançam o setor primário e o pequeno empreendedor nos 62 municípios do estado.
“Nosso compromisso é garantir que cada recurso investido chegue a quem realmente precisa, com critérios técnicos e responsabilidade”, destaca Marcos Vinícius Castro, diretor-presidente da Afeam.
Futuro sustentável
A nova fronteira da ZFM é a bioeconomia. O “Plano Estadual de Bioeconomia”, lançado recentemente, conecta a indústria com a floresta em pé. Um exemplo prático é a empresa Livoltek, que produz rabetas elétricas para embarcações, reduzindo a poluição e os custos para os ribeirinhos.
O pescador Adalgiso Silveira de Oliveira, de 64 anos, já sente a diferença no bolso e no silêncio do rio.
“A gente não gasta mais dinheiro com gasolina, não espanta mais os peixes por causa do ruído e não polui o rio. É isso aí”, afirma Adalgiso Silveira de Oliveira.
Equilíbrio estratégico
O desafio do Amazonas agora é aperfeiçoar essa arquitetura. A meta não é apenas manter o que já existe, mas integrar a ciência produzida na UEA com a inovação do PIM para gerar uma economia de baixo carbono.
Para Serafim Corrêa, o modelo é uma estratégia de longo prazo.
“Mais do que um modelo fiscal, trata-se de uma estratégia que transforma investimento industrial em oportunidade social, onde indústria e floresta se complementam”, finaliza o secretário da Sedecti.
Fique por dentro
A Zona Franca de Manaus é o principal motor econômico da região Norte, garantindo a preservação de mais de 90% da cobertura florestal do Amazonas ao concentrar a atividade econômica na capital. O modelo é essencial para a soberania nacional e para o financiamento de serviços públicos essenciais em todo o estado.









