
Enquanto o Brasil amarga uma retração nas atividades turísticas, o Amazonas parece ter encontrado a bússola do crescimento neste início de 2026. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que, em janeiro, o estado registrou um avanço de 4,7% em comparação ao mês anterior.
O número ganha contornos de exclusividade quando olhamos para o cenário nacional, que apresentou uma queda de 1,1% no mesmo período. Esse desempenho coloca o Amazonas em um patamar de destaque, perdendo apenas para São Paulo e superando vizinhos estratégicos como o Pará.
A análise crítica desse fenômeno aponta para uma combinação de fatores que vai além da simples sorte geográfica. O fortalecimento da conectividade aérea e a aposta no turismo de natureza têm sido os pilares dessa expansão.
No entanto, é preciso questionar se esse crescimento reflete uma melhoria estrutural profunda ou se é fruto de sazonalidades específicas. O fato é que, na comparação com janeiro de 2025, o salto foi de impressionantes 13,7%, o que sugere uma trajetória de expansão sustentada que merece ser observada com lupa pelo trade turístico local.
Fatores do crescimento
A Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur) atribui esses resultados positivos às políticas de promoção do destino e aos investimentos em infraestrutura. O foco em feiras nacionais e internacionais parece ter ampliado a vitrine do estado para o mundo, atraindo visitantes que buscam experiências autênticas na floresta.
Os pontos fundamentais que sustentam essa alta no setor são os seguintes.
- Promoção estratégica do destino Amazonas em grandes eventos globais de turismo.
- Ampliação real da malha aérea ligando Manaus a novos mercados em 2026.
- Investimentos em infraestrutura física e digital para recepção de visitantes.
- Regularização e capacitação constante da mão de obra dos prestadores de serviço.
- Uso de ferramentas tecnológicas como a plataforma Amazonas To Go para facilitar o roteiro do turista.
- Fortalecimento do turismo de natureza e sustentabilidade como diferencial competitivo.

Visão da gestão
Para o presidente da Amazonastur, Marcel Alexandre, os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) são o reflexo direto de um planejamento estratégico. Ele defende que o setor é vital não apenas pela beleza cênica, mas pelo impacto direto na economia real das comunidades.
“Os investimentos em infraestrutura turística, promoção do destino e participação em feiras nacionais e internacionais ampliam a visibilidade do Amazonas e estimulam a vinda de visitantes. O turismo é estratégico para o desenvolvimento econômico, geração de emprego e valorização das potencialidades regionais”, afirmou Marcel.
Desafios para o futuro
Apesar do otimismo dos números, a imparcialidade exige que olhemos para os gargalos que ainda persistem. Manter um crescimento de dois dígitos exige que o estado resolva questões crônicas de logística e custo das passagens, que ainda são barreiras para muitos brasileiros. O avanço de 13,7% no volume de atividades turísticas em um ano mostra que existe demanda, mas a competitividade do produto regional depende de uma articulação constante com o trade para baixar custos e elevar o padrão de atendimento.
O Amazonas se consolida hoje como um vetor de desenvolvimento econômico que gera renda distribuída em toda a cadeia, desde a hotelaria até o agenciamento de viagens e alimentação. O desafio agora é transformar esses picos de crescimento em uma constante, garantindo que a “marca Amazônia” continue sendo o desejo número um do viajante global, independentemente das oscilações da economia nacional.










