
O fantasma das inundações severas volta a assombrar o Amazonas em 2026 e coloca as autoridades estaduais sob pressão.
Após o Serviço Geológico do Brasil (SGB) emitir o primeiro alerta de cheias na última terça-feira (31/3), o deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) ocupou a tribuna para exigir que o Estado abandone a cultura de agir apenas quando o desastre já aconteceu.
Para o parlamentar, a recorrência de eventos climáticos extremos na região exige um planejamento que antecipe o sofrimento das populações ribeirinhas e das áreas urbanas vulneráveis.
O alerta do órgão federal aponta para a possibilidade de inundações relevantes, o que coloca em risco direto a produção rural, a mobilidade fluvial e a segurança de milhares de famílias.
“Não podemos esperar a água subir para agir. É preciso planejamento, presença e resposta antecipada para proteger quem mais sofre com as cheias”, afirmou o deputado, reforçando que a ajuda humanitária não deve ser a única estratégia do governo.
Prevenção no papel
O parlamentar argumenta que o Amazonas já possui ferramentas jurídicas robustas para enfrentar essas crises, mas que falta execução prática por parte do Executivo. Entre os instrumentos citados estão leis de sua autoria que visam descentralizar o socorro e organizar a resposta a desastres no interior do estado. O foco é garantir que os municípios não fiquem isolados enquanto aguardam recursos da capital.
Os principais mecanismos legais destacados pelo deputado incluem:
- Lei nº 6.987/2024: Institui diretrizes para prevenção e combate a incêndios e catástrofes, criando os Grupamentos Integrados de Combate a Incêndio e Proteção Civil (GCIPS).
- Lei nº 7.428/2025: Estabelece as Diretrizes de Segurança Hídrica para uma gestão sustentável da água.
- Fortalecimento da Defesa Civil: Proposta de integração imediata entre as esferas estadual e municipal para ativação de planos de contingência.
- Ampliação do Corpo de Bombeiros: Utilização da lei dos brigadistas para capilarizar o atendimento em calhas de rios distantes de Manaus.
Desafio da execução
A crítica de Comandante Dan toca em um ponto sensível da gestão pública amazonense que é a transformação de leis em benefícios reais para a ponta. Com o alerta do SGB em mãos, o parlamentar defende que o momento é de tirar os planos das gavetas e garantir que os recursos cheguem antes da subida das águas. A lógica defendida é a de que a prevenção custa menos aos cofres públicos e preserva a dignidade humana.
“O alerta está dado. O que não pode acontecer é a população sofrer por falta de ação do poder público”, concluiu o parlamentar.
A expectativa agora recai sobre o cronograma de ações do Governo do Estado e das prefeituras do interior, que precisam correr contra o calendário hidrológico para evitar que as cenas de destruição de anos anteriores se repitam nos próximos meses.










