Acompanhantes reclamam de falta de informação de internados em Manaus

Parentes de pacientes aguardam por informações na frente de hospital, em Manaus - Foto: Valdejane Brito/Rede Amazônica

Com a lotação de hospitais em Manaus, neste sábado (9), acompanhantes de pacientes continuam a relatar falta de informações sobre o boletim médico dos internados. No Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, a filha de um paciente internado com Covid-19 lamentou não conseguir notícias sobre o pai há dias: “Nunca consegui falar com um médico”, disse.

Neste sábado (9), acompanhantes de pacientes faziam fila na entrada da ala de assistência social e na área da frente do hospital. Eles aguardavam por atualizações sobre os estados de saúde de parentes internados que, segundo eles, não estão sendo repassadas para os familiares.

A técnica em enfermagem Rosiane Gomes Ribeir, 32 anos, contou que o avô dela, de 60 anos, foi internado no hospital com Covid-19 na última quarta-feira (6). Ela diz que, desde a internação, a família ainda não conseguiu nenhuma informação sobre o estado de saúde do paciente.

Neste sábado, ela teve de voltar ao Hospital 28 de Agosto, mas desta vez com a tia. Ao chegar do trabalho nesta manhã, notou que a tia também passava mal e a levou, com a ajuda do irmão, para a unidade de saúde. Passou pela triagem para que a tia fosse internada e também não recebeu mais atualizações.

“Não falam se ela foi entubada, o que está acontecendo lá dentro e, muito menos, do meu avô que está internado há três dias. Eu não tenho informação nenhuma. Todas essas pessoas que ficam aqui na frente são esperando notícias. É preocupante”, disse a técnica em enfermagem.

A filha de um paciente internado no Hospital 28 de Agosto, que preferiu não se identificar, disse que o pai está na unidade de saúde desde o dia 4 de janeiro. Segundo ela, desde então, a família busca informações sobre ele, mas não consegue nada

“A última vez que eu vi meu pai foi quando ele entrou. Nunca consegui falar com um médico. O meu pai tem 89 anos e não conseguimos falar com nenhum médico, só com uma assistente social que para achar o nome do teu familiar é uma dificuldade. Na tenda é a mesma coisa. Quando dizem, é só que ‘está estável’. É a única notícia que eles dão: que está estável e nada mais. É triste. O que já saiu de gente morta daqui e a gente chega para saber notícia do teu ente querido e a gente não sabe, porque é tudo desinformado aí dentro”, lamentou a filha do paciente.

Familiares de pacientes recebem orientações de segurança de hospital sobre regras de acompanhamento – Foto: Valdejane Brito/Rede Amazônica

A montadora Carla Pereira da Silva, de 32 anos, também aguarda por informações sobre o irmão, de 39 anos, que tem diabetes e precisa fazer procedimentos de hemodiálise. Segundo ela, ele passou mal e foi internado no dia 21 de dezembro. Ele foi encaminhado para Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas recebeu alta dias depois.

“Mandaram ele para casa, mas ele não estava bem Quando foi ontem (sexta-feira) à noite, ele pediu ‘Mana, pelo amor de Deus, me ajuda’. Ele estava com falta de ar. Eu trouxe ele para cá embaixo de chuva. Colocaram ele na maca e ele entrou”, explica Carla. “Desde ontem à noite, não sei se ele está vivo, se ele está morto. Eu preciso de notícias do meu irmão. Preciso saber se ele está vivo”, emociona-se.

Posicionamento do governo

A Secretaria da Saúde reforçou, em nota, que a emissão de boletim médico segue dias e horários, estabelecidos por cada unidade. No caso do Hospital e Pronto-socorro 28 de Agosto, cada andar e ala têm dias e horários específicos para a divulgação do boletim.

Ainda na nota, o órgão informou que o familiar do paciente deve realizar um cadastro no Serviço Social da Unidade ou na tenda de apoio psicossocial montada na Fundação Alan Kardec (FAK), ao lado do hospital, onde receberá as orientações sobre quais os dias em que serão disponibilizadas as informações.

Maior número em seis meses

O Amazonas registrou 2.342 novos casos de Covid-19 na sexta-feira (8), e obteve o maior número de confirmações diárias da doença dos últimos seis meses – quando em 7 de julho teve 2.740 novos casos. O total de infectados desde o início da pandemia chegou a 211.140.

Em pronunciamento nas redes sociais oficiais do Estado, o governador Wilson Lima anunciou que vai iniciar o processo de reabertura do Hospital Nilton Lins para atendimento a casos de Covid-19. O governador não citou datas e nem deu prazos de quando a unidade irá voltar a funcionar.

Apesar da lotação de hospitais, pacientes do interior chegam à capital em busca de atendimento nas UBSs.

Fonte: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2021/01/09/eu-nunca-consegui-falar-com-um-medico-diz-filha-de-paciente-internado-com-covid-19-em-hospital-de-manaus.ghtml

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