
A circulação do espetáculo cênico-circense ocorre na Fundação Dr. Thomas e na Escola Estadual de Tempo Integral (EETI) Maria de Lourdes Rodrigues Arruda. A obra compreende a memória como um território vivo onde a ancestralidade, a espiritualidade e o afeto se encontram. É a partir desse lugar que nasce “A voz de Maria Amazonina”, projeto idealizado e criado por Maria Fernanda Carmim, a palhaça Carmella Caramela.
A produção convida o público a adentrar um espaço que é íntimo e ao mesmo tempo coletivo, a famosa casa de vó. Em cena a história da avó Amazonina atravessa o corpo da artista e se transforma em uma homenagem às avós, aos sonhos e às memórias que constituem as identidades, especialmente dentro do contexto amazônico.
Espiritualidade e palco
Misturando a palhaçaria com música ao vivo e elementos da cultura de terreiro, o espetáculo constrói uma experiência sensorial. As rezas, os santos e o catolicismo preto se cruzam com a presença das pretas-velhas, trazendo a espiritualidade como um ponto de encontro e reconhecimento entre o palco e a plateia.
O trabalho é realizado a partir da “Encruzilhada DEF”, que é um conceito e metodologia criada por Ananda Guimarães, diretora e consultora de acessibilidade do espetáculo.
“O que mais importa nesse processo é essa encruzilhada entre filha-de-santo e mãe-de-santo, palhaça e diretora, que traz o processo de criação com muita intimidade e propriedade do que se vive pela comunidade de terreiro”, destaca Ananda Guimarães.
Equipe e acessibilidade
O espetáculo conta com música ao vivo interpretada pela palhaça musicista Carron, vivida por Luana Aranha. A acessibilidade é parte da poética da obra com a presença do palhaço intérprete de Libras Milibras, papel de Ainã Palheta. Já a dramaturgia é assinada por Emily Danalia, a Gigica Danada.
A recepção do público tem sido marcada pela emoção e pela forte identificação. Espectadores relatam que participar das memórias evocadas em cena é como estar dentro da casa da própria avó.
“Esse espetáculo nasce da saudade e da necessidade de manter viva a memória da minha avó. Quando eu falo dela, eu também estou falando de muitas outras avós e das histórias que vivem na gente. É um convite para que cada pessoa se reconheça nas suas próprias memórias”, afirma Maria Fernanda Carmim.
Pesquisa e fomento
Mais do que um espetáculo, “A Voz de Maria Amazonina” é fruto de um processo de pesquisa e criação que resultou no trabalho acadêmico intitulado “Escrevivendo as confluências em A Voz de Maria Amazonina, Palhaçaria de terreiro e memórias de vó”. Isso consolida a obra como um cruzamento entre arte, vivência e pesquisa científica.
A produção foi contemplada pelo Edital de Chamamento Público nº 03/2024, fomento à execução de ações culturais de circo para produção de pequena escala. O projeto utiliza recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) do Governo Federal, viabilizado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Amazonas (SEC/AM).
Serviço do espetáculo
As apresentações possuem classificação livre e ocorrem em dois momentos distintos na capital.
- Sexta-feira ( 3/4 ) às 15h na Fundação Dr. Thomas.
- Segunda-feira ( 6/4 ) às 14h na Escola Estadual de Tempo Integral (EETI) Maria de Lourdes Rodrigues Arruda.
Ficha técnica completa
- Direção: Ananda Guimarães
- Dramaturgia: Emily Danali
- Palhaça atriz: Maria Fernanda Carmim
- Palhaça musicista: Luana Aranha
- Intérprete de Libras: Ainã Palheta
- Produção: Iris Oliveira
- Bonequeira: Nabi de Castro
- Desenhos digitais: MANZI e Nabi de Castro
- Social media: Stephanie Lauriano
- Figurino: Felipe de Queiroz
- Costura: Danuza Evangelista
ASCOM: Maria Fernanda Carmim










