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A máquina parada por falta diesel virou símbolo de uma gestão que deixa o povo atolado no lamaçal de Silves

Não é preciso ser um gênio da lógica ou um místico para perceber que há algo de profundamente podre na gestão pública quando uma máquina motoniveladora permanece imóvel diante de um mar de lama por falta de combustível.

O cenário de abandono na Comunidade Sempre com Deus, situada no quilômetro 48 da Estrada da Várzea, na cidade de Silves no Amazonas, não é apenas um problema de engenharia rodoviária. Trata-se de um sintoma de paralisia mental administrativa. Enquanto o povo padece no isolamento, o poder público se esconde atrás de desculpas esfarrapadas que insultam a inteligência de quem paga a conta.

O isolamento forçado dos moradores e a dificuldade brutal na escoação da produção agrícola são o resultado direto de uma escolha deliberada. Não é falta de dinheiro, é falta de vergonha.

A realidade material dos fatos se impõe sobre qualquer discurso oficial, mostrando que, para a prefeitura, o brilho dos palcos vale muito mais do que a dignidade de quem vive no ramal.

Prioridades invertidas

A revolta da comunidade ganha uma base sólida ao confrontarmos os números frios da administração municipal. Em 2025, a prefeitura de Silves não hesitou em despejar mais de R$ 5,2 milhões em festas e eventos. O contraste é pornográfico. Como é possível uma gestão encontrar milhões para o entretenimento efêmero e alegar falta de óleo diesel para operar o maquinário básico de infraestrutura?

A escavadeira parada no meio do barro é o monumento perfeito à ineficiência. Enquanto o óleo diesel some para as máquinas de trabalho, o dinheiro público escorre para o fetiche das festas, deixando estudantes e produtores rurais reféns de um pântano que a prefeitura se recusa a drenar.

Deserto no Aneba

O descaso não é exclusividade de uma única localidade. No Ramal do Aneba, a situação se repete como um pesadelo cíclico. Registros feitos por moradores revelam que o que deveria ser uma estrada se transformou em um imenso lamaçal, onde veículos patinam e o direito de ir-e-vir é uma ficção jurídica.

As poças de água cobrem a extensão da via, tornando a travessia de pedestres uma humilhação física. É o colapso da mobilidade em sua forma mais crua. A negligência com a manutenção preventiva em Silves gera um efeito cascata que sufoca a economia local, pois a produção agrícola apodrece na raiz pela simples incapacidade estatal de garantir um caminho transitável.

Gestão rodoviária

A precariedade das rodovias estaduais, ramais e vicinais no interior do Amazonas evidencia a ausência total de um plano de trabalho minimamente sério. Cidades como Silves e Itapiranga sofrem as consequências de um modelo de gestão que ignora a logística básica. É urgente que se coloque em discussão a recriação do Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas (DER-AM).

A proposta é simples e necessária, implantar programas voltados para a restauração e conservação de pavimentos nos moldes do que já funciona em outros estados. Sem uma estrutura institucional dedicada exclusivamente à infraestrutura rodoviária estadual, o Amazonas continuará sendo um gigante de pés de barro, ou melhor, de pés atolados no barro.

Audiência necessária

Diante do caos, o silêncio dos parlamentares é uma forma de cumplicidade. É imperativo que os deputados estaduais viabilizem uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM). A sociedade precisa confrontar os parlamentares e os pré-candidatos ao Governo do Amazonas sobre essa problemática.

“A gente queria pedir aos vereadores e à prefeitura de Silves que olhassem pelo nosso ramal, que hoje se encontra em estado crítico por falta de reparos”, afirmou um morador da comunidade, em um apelo que deveria ecoar nos gabinetes climatizados de Manaus.

O clamor por asfalto e manutenção não é um pedido de favor, mas uma exigência de quem está cansado de ver o imposto transformado em festa enquanto a vida real apodrece na lama.

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