A incrível descoberta do professor Filippov que poderia ter devastado o planeta Terra

Por Juca de Orion

Quem conta essa história é Jaques Bergier, escritor e engenheiro químico franco-russo, conhecido por seu interesse em temas esotéricos, ciência de fronteira e teorias de conspiração. Ele escreveu vários livros sobre mistérios e fenômenos inexplicáveis, frequentemente em parceria com outros autores, como Louis Pauwels.

Um de seus trabalhos mais notáveis é “O Retorno dos Bruxos” (em francês, “Le Matin des Magiciens”), co-escrito com Pauwels e publicado em 1960. O livro é considerado um precursor do gênero que mistura fatos científicos com especulações e teorias esotéricas.

Outra obra impactante de Bergier tem por título “Os Livros Malditos”, uma coleção de ensaios onde Bergier aborda diversos manuscritos e livros ao longo da história que foram estigmatizados como perigosos, amaldiçoados ou contendo segredos proibidos.

Jaques Bergier tinha um talento para misturar fatos históricos com ficção e especulação, o que tornava seus escritos fascinantes e controversos. Seus livros costumam atrair leitores interessados em mistérios históricos e ocultismo, apesar de muitas vezes serem criticados por sua falta de rigor científico e por promoverem ideias pseudocientíficas.

Na obra  “Os Livros Malditos” Bergier conta a fantástica saga do sábio russo Mikhail Mikhailovitch Filippov, que  na noite de 17 para 18 de outubro de 1903 foi encontrado morto em seu laboratório, assassinado por ordem da Okhrana, a temida polícia secreta do czar.

Além de silenciar uma mente brilhante, o ato visava suprimir uma descoberta revolucionária documentada em seu manuscrito intitulado “A Revolução pela Ciência ou o Fim das Guerras”.

O manuscrito de Filippov prometia uma teoria revolucionária e uma aplicação prática que poderia mudar a face da guerra e da política global. Filippov afirmava ter descoberto um meio de transmitir a energia de uma explosão através de ondas curtas de rádio.

Em uma carta interceptada pela polícia secreta, ele explicava: “Posso transmitir sobre um feixe de ondas curtas toda a força de uma explosão. A onda explosiva se transmite integralmente ao longo da onda eletromagnética portadora, o que faz com que um cartucho de dinamite explodindo em Moscou possa transmitir o seu efeito até Constantinopla”.

Esta descoberta era, sem dúvida, revolucionária e aterrorizante. A possibilidade de transmitir explosões a grandes distâncias sem a necessidade de intermediários físicos ou dispositivos explosivos tradicionais ameaçava a estabilidade das nações e a segurança global.

Tal ameaça levou o Imperador Nicolau II a tomar medidas extremas para garantir que o conhecimento contido no manuscrito não viesse à luz. Após examinar pessoalmente os trabalhos de Filippov, o imperador ordenou a destruição completa do laboratório e a queima de todos os papéis.

O legado científico

A despeito da trágica interrupção de sua vida e obra, Filippov deixou um legado indelével na ciência e na literatura. Ele foi um dos principais divulgadores do trabalho de Constantin Tsiolkovsky, cujas ideias sobre a exploração do espaço cósmico pavimentaram o caminho para a era espacial.

Filippov também traduziu “As Bases da Química” de Mendeleev para o francês, disseminando a tabela periódica e o conhecimento químico globalmente.

Além disso, Filippov foi um dos fundadores da primeira revista de vulgarização científica da Rússia, a “Revista da Ciência”, onde buscava difundir a ciência e também as ideias marxistas, num tempo em que tal ato era extremamente perigoso. Sua influência foi tal que ele é frequentemente creditado por despertar em Lênin o interesse pela investigação científica avançada.

A ideia de Filippov de transmitir energia explosiva através de ondas de rádio pode parecer ficção científica, mas conceitos semelhantes começaram a se materializar nas décadas seguintes. Nos Estados Unidos, por exemplo, foram realizadas experiências com a chamada “bomba à árgon”, onde a energia de uma explosão é convertida em luz intensa e transmitida por um raio laser.

Embora Filippov não tenha conhecido o laser, ele estava à frente de seu tempo ao estudar as ondas ultracurtas. Suas publicações sugerem que ele estava no caminho certo para converter a energia de uma explosão em um feixe de ondas curtas, um feito que, se tivesse sido completamente desenvolvido e aplicado, poderia ter revolucionado (ou devastado) a guerra moderna.

Censura para impedir apocalipse?

A destruição do manuscrito de Filippov pelo czar pode ter sido um ato de censura absurda, mas há quem admite que pode ser visto como uma medida preventiva para evitar um apocalipse. Se a tecnologia de Filippov tivesse sido utilizada durante as guerras mundiais, o impacto poderia ter sido catastrófico, com cidades inteiras potencialmente destruídas por explosões transmitidas à distância.

Hoje, a ciência reconhece os perigos de certas descobertas e a necessidade de controlar a disseminação de conhecimentos potencialmente destrutivos. O caso de Filippov destaca a eterna tensão entre o avanço científico e as implicações éticas e morais de suas aplicações.

A tecnologia descoberta por Filippov, se comprovada e desenvolvida, teria um impacto revolucionário, tanto em contextos militares quanto industriais. A ideia de transmitir energia explosiva a grandes distâncias poderia transformar completamente a guerra, tornando as batalhas diretas obsoletas e simplesmente eliminaria a necessidade de conflitos armados tradicionais.

O manuscrito de Mikhail Filippov, “A Revolução pela Ciência ou o Fim das Guerras”, permanece uma obra emblemática na história dos livros proibidos. Representa o potencial transformador da ciência, mas também os riscos inerentes a seu uso imprudente.

A história de Filippov nos lembra que, com grandes descobertas, vêm grandes responsabilidades, e que o equilíbrio entre progresso e segurança é uma questão que a humanidade deve sempre analisar com máxima seriedade.

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