
O início de ano no Amazonas traz um contraste amargo para a saúde pública estadual. Na manhã desta segunda-feira (5/1), o Hospital Universitário Francisca Mendes (HUFM), em Manaus, tornou-se palco de um protesto legítimo de profissionais que dedicam suas vidas ao cuidado do coração dos amazonenses. Técnicos de enfermagem e servidores de apoio, vinculados a empresas terceirizadas, paralisaram as atividades para cobrar o óbvio, o pagamento de seus salários e do 13º. É irônico e preocupante que uma unidade recém-reconhecida entre as cem melhores do país enfrente uma crise básica de subsistência para seus colaboradores.
A mobilização em frente à unidade reflete uma ferida aberta na gestão hospitalar que depende excessivamente de intermediários. Quando os repasses entre o Estado e as empresas falham, o elo mais fraco da corrente é sempre o trabalhador. Relatos de profissionais que não possuem sequer o valor da passagem para chegar ao trabalho evidenciam uma precarização que vai além dos números e atinge a dignidade humana. O hospital Francisca Mendes é uma referência vital em cardiologia para a região Norte, e qualquer instabilidade em seus quadros representa um risco direto para centenas de pacientes que aguardam por procedimentos complexos.
O impacto direto no atendimento cardíaco e a urgência de soluções
Embora o sindicato da categoria tenha garantido a manutenção dos serviços essenciais, a rotina de um hospital de alta complexidade não flui sem a sua equipe completa. A paralisação parcial gera uma reação em cadeia que afeta desde a triagem até o agendamento de cirurgias eletivas.
- O atendimento em unidades de terapia intensiva segue operando com escala reduzida para garantir a segurança dos internados.
- Profissionais da enfermagem mantêm o zelo com as medicações e cuidados básicos dos pacientes já hospitalizados.
- Cirurgias de urgência e emergência não foram interrompidas para evitar perdas de vidas.
- Consultas ambulatoriais e exames especializados sofrem atrasos e possíveis reagendamentos ao longo do dia.
- A categoria exige um cronograma claro de pagamentos por parte da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e das prestadoras de serviço.
A ausência da segunda parcela do 13º e dos salários de dezembro retira o poder de planejamento dessas famílias e gera um clima de insegurança dentro das enfermarias. O trabalho na saúde exige concentração e estabilidade emocional, algo difícil de manter quando o sustento básico está em xeque.
O papel da gestão pública e o futuro das terceirizadas
A situação no Hospital Francisca Mendes expõe a necessidade de uma revisão profunda nos modelos de contratação da mão-de-obra na saúde do Amazonas. O jogo de empurra entre o governo e as empresas privadas sobre quem detém a responsabilidade pelo atraso financeiro não resolve o problema do trabalhador. É urgente que os mecanismos de fiscalização desses contratos sejam aprimorados para que o salário, que possui natureza alimentar, jamais seja usado como moeda de troca em disputas burocráticas.
A sociedade amazonense espera que o reconhecimento técnico que o hospital recebeu nacionalmente seja acompanhado por uma gestão humana e eficiente. Valorizar o hospital Francisca Mendes significa, antes de tudo, garantir que o enfermeiro, o técnico e o pessoal do apoio tenham a tranquilidade de exercer suas funções com as contas em dia. A saúde do coração do Amazonas depende de profissionais respeitados e valorizados. O estado de alerta da categoria deve servir como um chamado para que a administração pública trate a saúde não apenas como meta estatística, mas como um compromisso com quem faz o sistema funcionar.











