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A crise climática já chegou ao trabalho nas ruas e fingir que é normal pode custar vidas

Foto: Divulgação / Semsa

A Prefeitura de Manaus iniciou uma mobilização necessária que vai além da tradicional prevenção de acidentes com máquinas ou equipamentos de proteção. Por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), a campanha “Abril Verde” deste ano coloca o dedo em uma ferida aberta pela crise ambiental, o impacto do clima extremo na produtividade e na vida de quem trabalha nas ruas.

Com foco no Dia em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, celebrado em 28 de abril, as unidades de saúde da capital intensificam as orientações para proteger categorias que enfrentam sol e chuva sem qualquer barreira.

Clima e exposição

O grande diferencial da campanha em 2026 é o debate sobre como o calor extremo e as inundações afetam o corpo humano durante a jornada laboral. Em uma cidade como Manaus, onde a sensação térmica frequentemente ultrapassa limites suportáveis, ignorar o fator climático é um erro que custa vidas.

Jean Maximynno Lopes, chefe do Centro Regional de Saúde do Trabalhador (Divcerest), reforça que o alerta é direcionado especialmente para quem não tem o privilégio de um ambiente climatizado.

  • Categorias vulneráveis: mototaxistas, vendedores ambulantes, garis e operários da construção civil são os mais atingidos.
  • Riscos físicos: a exposição prolongada ao calor gera problemas cardiovasculares graves e doenças respiratórias.
  • Saúde mental: o estresse causado pelas condições adversas do tempo contribui para o adoecimento psicológico dos profissionais.
  • Danos cutâneos: o aumento da poluição e da radiação solar eleva os casos de problemas graves de pele.

Prevenção nas unidades

Nesta quarta-feira, 8 de abril, a Unidade de Saúde da Família (USF) Carmen Nicolau, na zona norte, serviu de palco para uma ação estratégica que uniu servidores e usuários. A ideia é qualificar os profissionais de saúde para que eles saibam identificar quando um sintoma clínico tem origem nas condições de trabalho do paciente. Esse acolhimento especializado é fundamental para que o diagnóstico não ignore a rotina de quem busca atendimento.

Segundo a assistente social Giane Sena, da Vigilância em Saúde do Trabalhador, esse processo de educação permanente deve ocorrer durante todo o ano, mas ganha força agora com a parceria da Divisão de Qualidade de Vida no Trabalho (DIVQVT). O foco é transformar cada USF em uma sentinela capaz de proteger o cidadão que sustenta a economia da cidade.

Importância da notificação

Um dos pontos críticos discutidos na programação foi a necessidade das notificações oficiais de doenças e agravos. Sem dados reais no sistema de informação, o poder público fica cego e não consegue planejar ações eficientes de enfrentamento.

A notificação é a principal arma que o gestor possui para entender onde os acidentes estão acontecendo e como aplicar os recursos de forma estratégica.

“A notificação é um instrumento para que os serviços de saúde e gestores possam conhecer a realidade”, afirmou Giane Sena.

Quando um profissional de saúde registra um agravo relacionado ao trabalho, ele está ajudando a mapear o perigo e a evitar que outros trabalhadores sofram o mesmo dano.

Desafios do futuro

O “Abril Verde” em Manaus deixa claro que o conceito de segurança no trabalho precisa evoluir junto com as mudanças do planeta. A prevenção clássica continua sendo essencial, mas agora é urgente incluir pausas para hidratação, equipamentos que protejam contra o calor e uma fiscalização rigorosa sobre as condições térmicas nos canteiros de obras e serviços públicos.

O sucesso dessa campanha será medido pela capacidade da sociedade em enxergar que o clima não é apenas um detalhe, mas um fator determinante para a saúde de quem constrói o futuro do Amazonas.

ASCOM: Eurivânia Galúcio / Semsa

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