
O mundo da moda amanheceu em luto nesta segunda-feira, 19/1, com a confirmação da morte de Valentino Garavani. Aos 93 anos, o lendário estilista italiano faleceu em sua residência em Roma, deixando um vazio imenso na alta-costura. A notícia foi oficializada pela Fundação Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti, encerrando a trajetória terrena do homem que não apenas vestiu mulheres, mas moldou a própria definição de elegância e luxo do século 20.
Diferente de muitos criadores contemporâneos que buscam o choque ou a desconstrução, Valentino sempre teve um objetivo declarado e transparente: ele queria que as mulheres fossem bonitas. Essa filosofia, expressa com clareza no documentário sobre sua vida, transformou sua grife em um porto seguro para celebridades e membros da realeza que buscavam o ápice do romantismo.
Sua formação técnica em Paris foi o que permitiu que o talento bruto se transformasse em perfeição. Ao retornar para a Itália e fundar sua maison ao lado do sócio e parceiro de vida Giancarlo Giammetti, ele uniu a sofisticação francesa ao calor e à teatralidade italiana. O resultado foi uma estética reconhecível em qualquer tapete vermelho do mundo.
Se existe uma cor que possui dono na história da moda, essa cor é o vermelho. O tom vibrante e sedutor tornou-se a assinatura máxima da marca, representando o glamour noturno e a confiança feminina. Além da cor icônica, o trabalho de Valentino se destacou por elementos específicos que hoje são estudados como códigos de luxo.
- O uso magistral do chiffon e de tecidos fluidos que acompanhavam o movimento do corpo.
- A aplicação de laços e flores de forma escultural, sem nunca perder a delicadeza.
- O contraste clássico entre preto e branco em linhas limpas e precisas.
- A criação de silhuetas ultra-femininas que atravessaram décadas sem parecerem datadas.
A morte de Valentino Garavani ocorre em um momento em que a marca que leva seu nome continua sendo uma das mais influentes do mercado global. Mesmo após sua aposentadoria oficial anos atrás, o mestre acompanhou de perto o sucesso de seus sucessores, que souberam modernizar seus conceitos sem trair a essência do “último imperador”.
A lista de mulheres que ele vestiu lê-se como um quem é quem da história moderna, desde Jackie Kennedy até estrelas atuais de Hollywood. Mais do que roupas, Valentino vendia um estilo de vida aspiracional, cercado por arte e beleza. Sua partida em Roma, cidade que ele tanto amou e onde estabeleceu seu império, marca o fechamento de um capítulo onde a moda era, acima de tudo, uma celebração da forma feminina em seu estado mais glorioso.










