
A movimentação financeira da Polônia nos últimos meses consolidou o país como um dos protagonistas mais resilientes no cenário econômico global. O Banco Nacional da Polónia (BNP) elevou suas reservas para a marca impressionante de 550 toneladas, um patrimônio que hoje ultrapassa 64 bilhões de euros. Essa estratégia não é apenas um movimento contábil, mas uma declaração clara de independência e busca por estabilidade em um momento de profundas transformações geopolíticas.
Para o presidente do BNP, Adam Glapiński, a escolha pelo metal precioso fundamenta-se na natureza do ativo, que é isento de risco de crédito e imune às decisões políticas de outras nações. Ao contrário de moedas estrangeiras que podem sofrer desvalorizações por decisões externas, o ouro atua como um porto seguro contra choques financeiros.
O crescimento das reservas polonesas foi notável ao longo de 2025. No início daquele ano, o ouro representava cerca de 16,8% das divisas do país. De acordo com os dados consolidados em dezembro de 2025, esse número saltou para 28,2%, refletindo uma das transições mais rápidas já registradas entre bancos centrais em todo o mundo. Este fortalecimento permitiu que a Polônia superasse as reservas próprias do Banco Central Europeu (BCE), que detém aproximadamente 506,5 toneladas.
Motivações estratégicas e o cenário de 2026
A decisão de priorizar o ouro envolve uma visão técnica detalhada sobre a diversificação de ativos. Marta Bassani-Prusik, diretora na Casa da Moeda da Polônia, destaca que a independência em relação ao dólar e a outras moedas é uma motivação central. Neste contexto, o governo polonês avançou com o “Programa de Acumulação Estratégica”, visando metas ainda mais ambiciosas para este ano.
Agora em janeiro de 2026, Glapiński confirmou que solicitou ao conselho do BNP uma resolução oficial para elevar o estoque total para 700 toneladas.
Os principais pontos que sustentam essa política agressiva de compras incluem os seguintes fatores:
- O ouro funciona como uma proteção contra crises monetárias globais.
- Ativos físicos reduzem a exposição ao risco de crédito de instituições estrangeiras.
- A valorização histórica do metal preserva o poder de compra das reservas nacionais a longo prazo.
- O metal permite uma gestão de crise mais autônoma em períodos de alta volatilidade.
Perspectivas de mercado e previsões de preços
Embora existam críticos que argumentam que os recursos poderiam ser investidos em títulos que geram juros, a valorização do ouro parece dar razão à estratégia polonesa. As projeções das principais instituições financeiras para 2026 indicam que o metal pode atingir novos recordes históricos.
O ING trabalha com uma média de 4.150 dólares por onça, enquanto o Deutsche Bank projeta 4.450 dólares. Instituições como o Goldman Sachs e o J.P. Morgan são ainda mais otimistas, com previsões que variam entre 4.900 e 5.300 dólares por onça. Esses números reforçam a percepção de que a Polônia está na vanguarda de uma nova arquitetura financeira europeia, onde a posse de ativos reais volta a ser o diferencial entre a vulnerabilidade e a soberania econômica.
Com o objetivo de atingir um valor total de reservas próximo a 95 bilhões de euros, a Polônia sinaliza ao mercado que a segurança nacional e a solidez financeira caminham juntas. Em um mundo onde as tensões geopolíticas redesenham as rotas do capital, o ouro polonês não é apenas uma reserva, mas um escudo estratégico.










