
O cenário em Iranduba, município localizado a 27 quilômetros de Manaus, atingiu um nível que ultrapassa a simples má gestão e flerta perigosamente com a tragédia. Um vídeo recente gravado por pais de alunos na Estrada do Janauari expõe uma cena de negligência absoluta, onde um ônibus escolar circulava com um pneu se desfazendo em plena via. O registro não é apenas uma denúncia sobre manutenção precária, mas o retrato de um sistema que coloca em risco a vida de crianças e adolescentes que dependem do transporte público para estudar.
A situação reacende uma cobrança legítima ao prefeito Augusto Ferraz (UB). Enquanto a propaganda oficial fala em educação de excelência, o que as lideranças comunitárias e os agricultores veem no dia a dia são veículos em estado crítico. O sentimento de insegurança é compartilhado por famílias que residem em comunidades como Novo Paraíso e São José II, onde o transporte escolar é a única via de acesso ao futuro dos jovens.
O perigo invisível que circula nos ônibus escolares
A denúncia levada ao líder comunitário Benedito Leite mostra que o problema é estrutural e não um caso isolado. O pneu do ônibus escolar, com pedaços arrancados, simboliza o descaso com a segurança viária na zona rural. Os pais relatam que os motoristas, muitas vezes, são vítimas da falta de estrutura e precisam operar máquinas sem condições básicas de segurança.
Essa crise de infraestrutura impacta diretamente a rotina escolar e gera transtornos que podem ser listados pela gravidade dos fato:
- Ônibus com pneus carecas e se desfazendo em vias de barro.
- Risco constante de acidentes graves em trechos sem sinalização.
- Aflitos de pais que temem pelo retorno dos filhos após as aulas.
- Falta de manutenção preventiva nas frotas que atendem os ramais.
A omissão do poder público diante de riscos conhecidos pode caracterizar uma falha administrativa grave. Afinal, a segurança no transporte escolar é um direito constitucional que não pode ser ignorado sob nenhuma justificativa orçamentária ou climática.
Recursos milionários e a falta de transparência nas obras
Um dos pontos mais controversos dessa crise é a existência de verbas que parecem não chegar ao asfalto. De acordo com o líder André Peres, existe um anúncio de R$ 7,5 milhões oriundos do Ministério da Agricultura destinados especificamente para a “pavimentação do Ramal do Creuza”. No entanto, os moradores relatam que as obras iniciadas foram abandonadas, deixando a via em condições piores do que estavam anteriormente.
A prefeitura tenta justificar o atraso nas obras de infraestrutura citando um verão atípico de chuvas. O secretário municipal de Infraestrutura e Planejamento Urbano (Semplurb), Yago Brandão, pediu paciência à população, mas a paciência dos moradores de Iranduba parece ter esgotado junto com as condições de tráfego.
A situação nos ramais e distritos é crítica e afeta diversos setores da economia e saúde:
- No Ramal do Castanhal a lama impede até a passagem de ambulâncias.
- No Ramal do Caldeirão parte da estrada desmoronou em 9 de janeiro bloqueando o turismo.
- No distrito de Cacau Pirêra o asfalto cede diante do tráfego intenso e falta de manutenção.
- Caminhões de lixo circulam dentro de comunidades abrindo crateras e espalhando poeira.
O impacto social do isolamento das comunidades rurais
O abandono estrutural não atinge apenas o transporte de alunos. Ele isola agricultores que não conseguem escoar sua produção e prejudica o comércio local. Em locais como o Ramal do Santo Antônio, a própria população precisou se organizar para tapar buracos e fazer a roçagem das margens das estradas, assumindo uma função que deveria ser da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Planejamento Urbano.
Enquanto o prefeito anuncia novas parcerias com o Governo do Amazonas e verbas federais, a realidade nos canais oficiais é de cobrança intensa. Moradores de ramais como Bela Vista e Açutuba utilizam as redes sociais para lembrar que muitas obras prometidas em anos anteriores nunca foram finalizadas.
Iranduba precisa de respostas concretas e não apenas de vídeos explicativos. O início do ano letivo de 2026 exige que a prefeitura garanta que nenhum aluno precise subir em um ônibus com pneus destruídos. A infraestrutura de um município é o alicerce para o seu desenvolvimento e, sem estradas seguras, o caminho para a educação e para a saúde permanece bloqueado pela lama e pela omissão.
ASCOM: Vivian Oliveira












