Fiscalização da Defensoria revela falhas em carceragem de Presidente Figueiredo

Foto: Divulgação/DPE-AM

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) realizou , no dia 12 de janeiro, uma inspeção carcerária na delegacia de Presidente Figueiredo, município localizado a 117 quilômetros de Manaus. A ação foi liderada pela defensora pública Mariana Paixão e teve como foco principal a análise das condições de custódia e o atendimento jurídico individual dos detentos.

Atualmente, a unidade policial abriga 39 pessoas, todas na condição de presos provisórios. Durante a atividade, a equipe da Defensoria conseguiu realizar 15 atendimentos diretos, priorizando o esclarecimento da situação processual de cada interno. O restante dos custodiados deverá ser atendido em uma nova visita técnica já planejada pela instituição.

Demandas jurídicas e situação processual dos internos

A maior preocupação relatada pelos detentos durante a fiscalização envolve o andamento das defesas nos processos criminais. Mariana Paixão destacou que a ausência de informações sobre audiências e produção de provas gera um estado de aflição constante entre os internos.

Os principais pedidos registrados durante as conversas foram:

  • Auxílio direto na elaboração de defesas criminais.
  • Informações atualizadas sobre o andamento dos processos na justiça.
  • Orientações sobre prazos para instrução e julgamento.
  • Esclarecimentos sobre a produção de provas a favor dos réus.

A inspeção também identificou a presença de apenas uma mulher na carceragem. Ela ocupa uma cela separada dos homens na mesma unidade. A avaliação técnica indicou que manter a custodiada no município é mais favorável do que uma transferência para a capital, onde o desfecho da detenção poderia ser mais severo.

Superlotação e precariedade das instalações físicas

Um dos pontos mais críticos observados pela DPE-AM foi a superlotação da unidade. A estrutura física da delegacia de Presidente Figueiredo sofre com problemas crônicos que afetam diretamente a dignidade das pessoas detidas.

Entre as falhas estruturais listadas no relatório preliminar estão:

  • Condições de higiene inadequadas nas celas e áreas comuns
  • Falta de ventilação apropriada para o número de presos
  • Iluminação insuficiente no interior das celas
  • Limitações nas condições sanitárias básicas

Por outro lado, a alimentação foi citada como um ponto positivo da unidade. O fornecimento das refeições é feito de forma terceirizada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP). A equipe verificou a existência de um cardápio estruturado e uma tabela nutricional, o que demonstra um acompanhamento profissional na dieta oferecida.

O papel da defensoria na proteção dos direitos humanos

A ação em Presidente Figueiredo contou com o apoio de residentes e estagiários da instituição para a coleta de dados e elaboração do relatório técnico. Para Mariana Paixão, a presença física do órgão nas delegacias do interior do estado é fundamental para fiscalizar a atuação do Estado e proteger grupos marginalizados.

O objetivo da Defensoria agora é analisar individualmente cada processo para adotar as medidas jurídicas necessárias. O órgão deve retornar à delegacia em breve para prestar esclarecimentos finais aos custodiados e monitorar se as recomendações de melhorias estruturais serão atendidas pelas autoridades competentes.

ASCOM: Aline Ferreira/DPE-AM

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