
Em um cenário de guerra que se arrasta com consequências severas para a segurança global, a diplomacia muitas vezes se torna um campo de batalha tão complexo quanto o terreno físico. Nesta quinta-feira, 15/1, o presidente Volodymyr Zelensky trouxe à tona uma defesa enfática da postura ucraniana. Ao rebater declarações de Donald Trump e Vladimir Putin, o líder ucraniano buscou desconstruir a ideia de que Kiev seria o verdadeiro entrave para o fim das hostilidades.
O centro da discussão gira em torno da responsabilidade pelo atraso nas negociações. Enquanto figuras políticas de peso sugerem que o governo ucraniano dificulta o diálogo, Zelensky aponta para os destroços causados por mísseis e drones de fabricação iraniana como a prova definitiva de quem realmente deseja o conflito. A argumentação ucraniana é clara, pois não faria sentido acusar de obstrução aquele que tem sua infraestrutura básica destruída diariamente.
O embate entre a retórica de Trump e a defesa de Kiev
A situação ganhou contornos mais dramáticos com o recente alinhamento de visões entre o Kremlin e Donald Trump. O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, foi enfático ao concordar com a leitura de que a postura de Zelensky atrasa o processo diplomático. Esse movimento cria uma pressão coordenada sobre a Ucrânia, que se vê obrigada a provar sua disposição para a paz enquanto luta pela própria sobrevivência territorial.
Para Zelensky, as tentativas russas de destruir a Ucrânia evidenciam que o interesse de Moscou não está em acordos reais, mas na rendição total. Ele reforça que a paz não pode ser confundida com a aceitação passiva da destruição. O governo ucraniano sustenta que a verdadeira paz exige a interrupção dos ataques à infraestrutura elétrica e à população civil, algo que não tem ocorrido na prática.
A estratégia do Kremlin sob a lente dos analistas
Especialistas do “Instituto para o Estudo da Guerra” (ISW) trazem uma camada importante de esclarecimento para esse debate. Segundo as análises desse centro de pesquisas, o Kremlin vem utilizando a retórica das negociações como uma ferramenta de distração. O objetivo seria prolongar o conflito de forma deliberada para permitir o avanço militar em áreas estratégicas do território ucraniano.
Essa tática de atraso proposital nas conversas diplomáticas serve para desgastar a resistência de Kiev e o apoio internacional. Ao mesmo tempo em que a Rússia condiciona qualquer acordo a garantias amplas de segurança, as forças militares intensificam o que os Estados Unidos (EUA) classificaram como uma escalada perigosa e inexplicável. Portanto, a narrativa de que a Ucrânia bloqueia a paz parece entrar em contradição direta com o aumento da agressividade no campo de batalha.
O custo humano frente ao impasse geopolítico
A disputa de versões entre Kiev, Washington e Moscou deixa em segundo plano o sofrimento constante da população. Enquanto os líderes políticos discutem as condições de um eventual cessar-fogo, o inverno e a falta de energia elétrica punem os cidadãos comuns. A urgência de uma solução real esbarra em exigências que parecem irreconciliáveis no momento atual.
Zelensky mantém a posição de que a Ucrânia nunca será um obstáculo para um acordo justo. Entretanto, ele deixa claro que a paz depende de um desinteresse genuíno de Moscou em continuar a destruição. O cenário para 2026 permanece incerto, com a diplomacia internacional tentando encontrar um ponto de equilíbrio entre a soberania nacional ucraniana e a insistência russa em avançar sobre o território vizinho.
Fonte: https://www.metropoles.com/mundo/trump-putin-zelensky-paz-ucrania











