
A terça-feira, 13 de janeiro, marca um novo e tenso capítulo na política nacional. O que parecia ser apenas mais uma semana de depoimentos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS transformou-se em uma ofensiva jurídica direta da oposição contra a família do presidente da República. Parlamentares que integram o colegiado decidiram não esperar mais pelos trâmites internos do Congresso e encaminharam ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de medidas cautelares contra Fábio Luís Lula da Silva, popularmente conhecido como Lulinha.
O documento, endereçado ao ministro André Mendonça, solicita a apreensão do passaporte do filho do presidente. O argumento central dos parlamentares é o risco de fuga diante do avanço das investigações sobre o escândalo bilionário no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que veio à tona ainda no primeiro semestre de 2025. A manobra da oposição sinaliza um esgotamento da paciência com a base governista, que tem atuado para blindar a convocação de Fábio Luís na comissão.
Os bastidores da investigação e o elo financeiro
Para entender a gravidade do pedido feito ao Supremo, é preciso olhar para os detalhes que a Polícia Federal revelou em dezembro passado. Não se trata apenas de suposições políticas, mas de trilhas financeiras que conectam personagens influentes a pagamentos suspeitos. A investigação aponta para uma mesada recorrente de R$ 300 mil destinada a uma empresa ligada à empresária Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Lulinha.
No centro desse esquema está a figura de Antônio Carlos Antunes, conhecido pela alcunha de “Careca do INSS”. Em documentos e agendas apreendidos, investigadores encontraram referências explícitas de que os valores seriam destinados ao que ele chama de “filho do rapaz”.
Abaixo, detalhamos os pontos cruciais citados pelos parlamentares no pedido enviado ao ministro André Mendonça:
- Valores fracionados e montante total: A apuração indica pagamentos fracionados de R$ 300 mil que, somados, totalizam R$ 1,5 milhão. Segundo a polícia, o dinheiro saía de empresas ligadas ao operador do esquema e teria como destino final o filho do presidente.
- A conexão pessoal: A intermediação passaria por Roberta Luchsinger, criando um elo entre as fraudes na previdência e o círculo pessoal de Fábio Luís.
- Risco de evasão: Diante da robustez dos indícios e do volume financeiro envolvido, a oposição sustenta que a liberdade de trânsito internacional do investigado representa um risco para a aplicação da lei penal.
A disputa política e a lista de signatários
O movimento desta terça-feira não é isolado. Ele reflete a frustração de uma ala do Congresso que vê seus requerimentos de convocação serem sistematicamente derrubados ou ignorados na CPMI. Ao recorrer ao STF, o grupo tenta contornar a maioria governista e levar a discussão para a esfera criminal.
O documento enviado ao Supremo carrega assinaturas de peso da oposição, demonstrando unidade entre diferentes siglas de direita e centro-direita. Assinam o pedido:
- Alfredo Gaspar (União Brasil-AL): Relator da CPMI e uma das vozes mais ativas na investigação das fraudes previdenciárias.
- Rogério Marinho (PL-RN): Líder da oposição no Senado, que tem articulado a estratégia política contra o governo.
- Eduardo Girão (Novo-CE): Senador que tem cobrado celeridade nas investigações sobre desvios de verbas públicas.
- Deputados do partido Novo: Marcel van Hattem (RS), Luiz Lima (RJ) e Adriana Ventura (SP) reforçam a frente parlamentar que exige explicações sobre o destino do dinheiro do contribuinte.
O impasse institucional
O que assistimos agora é um teste de força entre os poderes. De um lado, o governo tenta manter o controle da narrativa dentro da CPMI, evitando que a imagem do filho do presidente seja desgastada em depoimentos públicos televisionados. Do outro, a oposição busca fatos novos e medidas drásticas para manter o escândalo do INSS nas manchetes.
Caberá agora ao ministro André Mendonça analisar se os indícios apresentados são suficientes para justificar uma medida tão severa quanto a retenção de um passaporte. Independentemente da decisão, o sinal político foi dado: a trégua de início de ano acabou e as investigações sobre o INSS prometem pautar os debates em Brasília nas próximas semanas.
Para a sociedade, fica a expectativa de que os fatos sejam esclarecidos com rigor, doa a quem doer, pois quando se trata do dinheiro da previdência, a vítima final é sempre o trabalhador brasileiro.
Fonte: https://veja.abril.com.br/brasil/oposicao-aciona-stf-e-pede-tornozeleira-eletronica-para-lulinha/











