
Finalmente, uma discussão que sai do achismo, do improviso e da gambiarra administrativa e vai direto ao ponto: estrada no Amazonas não se resolve com contrato de papel passado, mas com presença técnica permanente no chão batido — ou melhor, na lama.
O movimento de pesquisadores que defende a recriação do DER-AM merece aplauso. Marcos Maurício Costa e Aldenor Ferreira fazem o que a política evitou por 30 anos: chamam o problema pelo nome.
A extinção do Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas, em 1995, foi um erro histórico. E não foi pequeno. Foi estrutural, estratégico e profundamente danoso para um estado que vive sob chuvas intensas, solos instáveis e distâncias continentais. Acabar com o DER-AM foi como desmontar o motor de um barco no meio do rio e achar que o remo daria conta.
Autarquia técnica
O antigo DER-AM não era um cabide de empregos, como muitos tentam rotular. Era uma autarquia técnica, com engenheiros, operadores, máquinas e planejamento contínuo. Gente que conhecia cada trecho, cada curva e cada ponto crítico das rodovias estaduais.
A manutenção da AM-010, lembrada pelos pesquisadores, é emblemática: equipes fixas, resposta rápida, prevenção em vez de emergência. Hoje, o que se vê é estrada quebrando primeiro para só depois alguém pensar em consertar — quando pensa.
A substituição desse modelo por uma gestão fragmentada, terceirizada e distante da realidade amazônica nos jogou num ciclo vicioso: contratos caros, obras frágeis, manutenção inexistente e comunidades isoladas. Sem falar na insegurança diária de quem depende das estradas para trabalhar, produzir e sobreviver. O problema não é só asfalto. É soberania logística.
Sem cheiro de saudosismo
O mais importante é que a proposta de Marcos Maurício e Aldenor Ferreira não tem cheiro de saudosismo. Não é “voltar ao passado”, é corrigir um erro para garantir o futuro. Os pesquisadores apresentam um caminho moderno com a criação de uma nova autarquia com autonomia administrativa e financeira, e responsabilidade integral sobre planejamento, execução e conservação das rodovias.
Ou seja, Estado pensando como Estado, não como gestor de contrato. Recriar o DER-AM não é obra física, mas é a obra estrutural mais urgente do Amazonas.
Sem isso, qualquer quilômetro asfaltado continuará sendo provisório, caro e frágil. Com isso, o estado pode finalmente sair do atoleiro logístico, enfrentar sua realidade ambiental com inteligência técnica e recuperar o controle sobre suas próprias estradas.
David parte para o “bateu, levou”

David Almeida resolveu jogar a pré-campanha no modo “bateu, levou”. Se atacado, responde. Se provocado, retruca. Se cutucado, mostra número.
O prefeito de Manaus não perde tempo com vitimismo: prefere esfregar indicadores na cara dos adversários e desafiar quem quiser “manchar” a gestão a apresentar algo além de fofoca e ataque reciclado.
Desde a eleição de 2024, quando virou o alvo preferencial de Estado, Assembleia Legislativa e Câmara Municipal alinhada ao governo, David aprendeu que, na política amazonense, carinho é artigo em falta.
Agora, com o nome figurando em todas as 14 pesquisas de 2025 — ora em segundo, ora em terceiro — ele segue sem dizer que é candidato, mas andando como quem já mede a cortina do Palácio do Governo.
Ironia do jogo: quanto mais apanham, mais falam dele. E ele gosta. A contagem regressiva corre até 4 de abril. Até lá, quem bater, aguente o troco, avisa o zangado prefeito.
“PIM vai bem”, diz Saraiva

Bosco Saraiva apareceu em grande estilo ao detalhar números históricos do Polo Industrial de Manaus. Faturamento acima de R$ 209 bilhões, mais de 132 mil empregos diretos e um discurso afinado com a palavra mágica do momento: segurança jurídica.
Em entrevista, Bosco deixou claro que o bom momento do PIM não caiu do céu — passou, segundo ele, “pelas mãos” da bancada amazonense em Brasília.
PSDB fora do jogo majoritário

O PSDB do Amazonas decidiu assistir à eleição de governador do sofá. O senador Plínio Valério foi direto: o partido não terá candidato ao governo em 2026 e, para completar, tende a não apoiar ninguém dos nomes postos.
Falta de quadro competitivo, segundo Plínio. Omar Aziz, Maria do Carmo, Tadeu de Souza… nenhum empolgou os tucanos.
O PSDB até entra em campo para Senado e proporcionais, mas para o governo, levantou a plaquinha: “não jogamos”.
FIEAM alerta contra MERCOSUL–EU

A Fieam acendeu o sinal amarelo com o acordo Mercosul–União Europeia.
Para o presidente Antônio Silva, a redução de tarifas sobre manufaturados europeus pode corroer o diferencial tributário que sustenta a Zona Franca de Manaus.
Sem salvaguardas, prazos longos e exceções bem negociadas, setores como eletroeletrônicos e duas rodas podem sentir o baque.
Em resumo: acordo bom, desde que não seja às custas do modelo ZFM.
CIEAM vê copo meio cheio

Com relação ao Mercosul-UE, o Cieam prefere olhar o copo meio cheio.
Para André Ricardo Costa, os efeitos do acordo sobre o PIM tendem a ser indiretos e positivos.
A aposta é no aumento das exportações brasileiras de commodities, gerando renda, aquecendo o mercado interno e, por tabela, fortalecendo a demanda pelos produtos fabricados em Manaus.
Enquanto a Fieam pede cautela, o Cieam aposta no efeito dominó. Dois olhares, um mesmo desafio: proteger a Zona Franca no novo tabuleiro global.











