Quando a arquitetura deixa de ser prédio e passa a ser arte

Foo: Divulgação

A relação entre Arquitetura e Arte é profunda e inseparável, marcada por inúmeros pontos de encontro. Enquanto a arquitetura é forçosamente funcional e deve atender a critérios estruturais e de programa, ela é, inegavelmente, a mãe das artes, pois define o espaço onde todas as outras formas de arte e a própria vida humana acontecem.

A Arquitetura como Obra Escultórica

O ponto de encontro mais evidente é a forma. Muitos edifícios icônicos são apreciados como esculturas habitáveis em grande escala. Arquitetos como Santiago Calatrava, com suas formas orgânicas e expressivas, ou Eero Saarinen, com o design de conchas do Terminal TWA, demonstram como a estrutura pode ser elevada à expressão artística, transformando o horizonte urbano em uma galeria a céu aberto.

O artista, por sua vez, influencia a arquitetura. O movimento De Stijl e as pinturas de Piet Mondrian influenciaram o purismo e as fachadas de vidro da arquitetura moderna.

Espaço e Experiência Sensorial

A arquitetura vai além da forma para tocar a arte através da experiência sensorial. O arquiteto manipula:

  • Luz: A luz natural, quando controlada e direcionada (como nos trabalhos de Louis Kahn), se torna um elemento dramático e transcendental, essencialmente artístico.
  • Materialidade: A escolha dos materiais, sua textura e cor criam uma paleta de sensações que dão caráter ao espaço, similar à paleta de um pintor.
  • Sequência Espacial: A forma como o arquiteto guia o indivíduo através de uma sucessão de espaços (pequeno para grande, escuro para claro) é uma coreografia espacial, comparável a uma composição musical ou teatral. Obras

O Arquiteto Curador

Em muitos projetos, o arquiteto atua como um curador. Museus, galerias e espaços culturais (como o Guggenheim de Frank Lloyd Wright) são projetados para que a arquitetura complemente e valorize a obra de arte que está sendo exibida, ou mesmo a integre ao tecido do edifício.

A arte liberta a arquitetura de sua função puramente técnica, e a arquitetura fornece à arte sua dimensão mais fundamental: o espaço. Onde a função atende à emoção, a arquitetura se torna arte.

Fonte: Izabelly Mendes.

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