Petro propõe nova “Grande Colômbia” e reacende fantasma bolivariano na América do Sul

Gustavo Petro, presidente da Colômbia - Foto: Reprodução/Wikimedia

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, utilizou suas redes sociais neste sábado, 10/1, para lançar uma proposta que pretende redesenhar o mapa político e econômico da região. O plano consiste na criação de uma confederação de nações inspirada no modelo da “União Europeia”, que o político batizou como “Grande Colômbia”. Segundo o mandatário colombiano, essa nova estrutura teria o seu próprio Parlamento, um Tribunal de Justiça e um conselho de governo para coordenar as decisões estratégicas entre os países membros.

A ideia apresentada por Petro busca resgatar o ideal histórico de Simón Bolívar, que uniu diversos territórios no século XIX. O mapa divulgado pelo presidente inclui não apenas a atual Colômbia, mas também o Equador, o Panamá e a Venezuela, além de partes da Guiana e da América Central. A intenção é que esses países atuem como um bloco unificado para fortalecer a economia regional e ganhar relevância frente às potências globais.

O retorno ao ideal de Bolívar e a abrangência territorial da proposta

A “Grande Colômbia” original existiu entre 1819 e 1831 e é a principal inspiração para o atual projeto de Petro. Na visão do presidente, a confederação deve seguir uma política comercial voltada para a industrialização nacional e regional. Ele defende que o bloco se torne um centro mundial em áreas como infraestrutura moderna, conhecimento compartilhado e, principalmente, energia limpa.

Os pilares apresentados para a viabilização da confederação incluem os seguintes pontos:

  • Estabelecimento de políticas comuns baseadas nas demandas diretas da população local.
  • Foco na industrialização para diminuir a dependência de produtos importados.
  • Transformação da região em uma potência de energias renováveis para o mundo.
  • Integração das redes de transporte e comunicação entre as capitais vizinhas.

As críticas ao viés ideológico e o peso do cenário venezuelano

Apesar do tom de integração, a proposta foi recebida com forte ceticismo por diversos setores políticos. Críticos apontam que o modelo bolivariano defendido por Petro é o mesmo que inspirou o regime de Hugo Chávez e que seguiu com Nicolás Maduro na Venezuela. Esse sistema é frequentemente associado ao colapso econômico do país vizinho, onde indicadores atuais estimam que 50% da população vive em situação de miséria extrema.

O partido de Petro (Colômbia Humana) integra o “Foro de São Paulo”, organização que reúne diversas legendas de esquerda da América Latina, como o PSUV e o PT. Essa ligação alimenta o debate sobre se a “Grande Colômbia” seria um projeto de desenvolvimento econômico ou apenas um movimento para consolidar uma coalizão ideológica socialista na região, isolando os países de influências externas mais liberais.

A trégua diplomática com Donald Trump e a visita à Casa Branca

O anúncio de Petro ocorre em um momento de extrema instabilidade diplomática. Recentemente, o presidente norte-americano Donald Trump disparou ataques verbais contra o líder colombiano, chamando-o de homem doente e acusando seu governo de ser conivente com a produção de cocaína exportada para os Estados Unidos. O clima de tensão foi agravado pela captura de Nicolás Maduro em uma operação realizada em Caracas no último fim de semana, o que alterou drasticamente o equilíbrio de poder na América do Sul.

Entretanto, uma trégua inesperada surgiu na última quarta-feira, 7/1, quando os dois presidentes conversaram por telefone. Durante o diálogo, o tom agressivo foi deixado de lado e Donald Trump confirmou que aguarda a visita de Gustavo Petro à Casa Branca na primeira semana de fevereiro. O encontro será fundamental para definir se o projeto da “Grande Colômbia” será visto por Washington como uma iniciativa legítima de integração ou como uma ameaça aos interesses de segurança e mercado dos Estados Unidos na região.

Fonte: https://revistaoeste.com/mundo/socialista-gustavo-petro-confederacao-latino-americano/

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