Projeto leva água na torneira em comunidades ribeirinhas e muda rotina no Tupé

Fotos: Luiggi Bacelar/ Instituto Puxirum

A comunidade Julião, situada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Tupé, foi palco neste último sábado, 10/1, de um marco histórico para a qualidade de vida local. O lançamento oficial do “Projeto Puxirum d’Água” reuniu lideranças comunitárias, especialistas e representantes de órgãos públicos para apresentar uma solução inovadora que une infraestrutura hídrica e energia renovável. A iniciativa foca na resiliência climática e busca acabar com a insegurança no abastecimento que castiga centenas de famílias ribeirinhas em Manaus.

O evento contou com a participação de instituições como a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), o Instituto Federal do Amazonas (Ifam) e a concessionária Amazonas Energia. Essa articulação interinstitucional é fundamental para garantir que os territórios isolados recebam a atenção necessária nas agendas de saneamento e adaptação climática.

Idealizado pelo Instituto Puxirum de Inovação Social, o “Puxirum d’Água” beneficia diretamente as comunidades da Agrovila e do Julião, alcançando cerca de mil pessoas. O foco central é resolver a dependência de sistemas elétricos instáveis, que frequentemente deixam as famílias sem água durante apagões, prejudicando escolas, unidades de saúde e a rotina doméstica.

Tecnologia solar para garantir água na torneira

A grande inovação do projeto é a substituição do bombeamento elétrico convencional por sistemas movidos a energia solar fotovoltaica. Essa mudança não apenas reduz custos, mas garante que o abastecimento continue funcionando de forma autônoma e sustentável.

As frentes de trabalho do “Puxirum d’Água” incluem os seguintes pontos fundamentais:

  • Reabilitação das estruturas de captação e das redes de distribuição de água.
  • Instalação de placas solares para eliminar a dependência da rede elétrica instável.
  • Recuperação de reservatórios para garantir o armazenamento seguro do recurso.
  • Redução da emissão de gases de efeito estufa através do uso de energia limpa.

Paulo Diógenes, gestor de projetos do Instituto Puxirum, destacou que o objetivo é transformar essas comunidades em modelos de sucesso.

“A RDS do Tupé é um espaço histórico para o nosso Instituto. Foi aqui que começamos, é aqui que continuamos essa mobilização de possibilitar mais qualidade de vida. Direitos básicos e que deveriam ser obrigatórios. A comunidade da Agrovila e do Julião serão as comunidades-piloto a receberem essa infraestrutura, mas nosso objetivo é fazer isso dar certo e conseguir expandir para as outras comunidades do Tupé”, afirmou o gestor.

Governança comunitária e o Plano Municipal de Saneamento Básico

O projeto vai além da obra física e investe pesado na educação e na autonomia dos moradores. Serão formados comitês comunitários e capacitados operadores locais para realizar a manutenção técnica dos sistemas. Outro ponto estratégico debatido no encontro foi a mobilização para a revisão do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) de Manaus, marcada para o próximo dia 10 de fevereiro.

Atualmente, as comunidades rurais do município não estão contempladas no plano vigente, o que gera um vácuo de responsabilidade legal por parte dos órgãos públicos. A inclusão dessas áreas no PMSB permitirá que os problemas vividos no Tupé sejam reconhecidos institucionalmente, facilitando a captação de recursos federais para o saneamento rural.

A importância da regularidade do serviço foi enfatizada por Alice Pimentel, presidente da Comunidade Agrovila.

“A instalação das placas solares será muito importante para a gente. A energia é escassa e nos traz muitos problemas. Estão todos ansiosos e muitos felizes na minha comunidade. Agradecemos ao Instituto Puxirum”, ressaltou a líder comunitária.

Financiamento internacional e impacto socioambiental

O “Puxirum d’Água” é o primeiro projeto brasileiro a receber financiamento do Fundo de Acesso à Energia (A2E), lançado pela EDP, líder global no setor de energia. A iniciativa também conta com o suporte do Fundo Casa Socioambiental e se soma ao trabalho já realizado pelo “Puxirum da Energia”, que promoveu cursos de eletricidade básica e diagnósticos participativos na região.

Com um cronograma que inclui monitoramento técnico e social contínuo, o Instituto Puxirum reafirma seu compromisso com a melhoria da vida ribeirinha. Ao conectar água, energia e políticas públicas, o projeto cria um legado de autonomia e saúde para as populações que guardam as florestas de Manaus.

ASCOM: Luiggi Bacelar

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