A aposta de Milei para resgatar os dólares sob o colchão e salvar a economia argentina

Milei lança ofensiva para convencer argentinos a revelar dólares escondidos – Foto: STR/EFE

O governo de Javier Milei deu um passo decisivo para tentar estabilizar as finanças da Argentina ao promulgar a lei do princípio de inocência fiscal. Essa medida surge em um momento de extrema pressão econômica, onde o país precisa desesperadamente aumentar suas reservas internacionais para honrar compromissos bilionários que vencem ainda neste ano de 2026. A estratégia central é convencer os cidadãos a retirarem suas economias do anonimato, os famosos dólares guardados fora do sistema bancário, e injetá-los novamente na economia formal.

De acordo com estimativas oficiais, os argentinos possuem cerca de 251 bilhões de dólares guardados em espécie ou em contas no exterior não declaradas. Esse valor é astronômico se comparado às reservas brutas do Banco Central, que fecharam o último mês de dezembro em 41 bilhões de dólares. A urgência do governo se justifica pelo calendário de pagamentos, já que a Argentina deve desembolsar mais de 19 bilhões de dólares em dívidas apenas nos próximos meses.

A saúde financeira do país está sob constante vigilância do Fundo Monetário Internacional, que mantém um programa de crédito ativo com o governo. O órgão tem reforçado a necessidade de esforços significativos para recompor o caixa da nação. Com a nova lei, o governo Milei espera que uma parte considerável do capital parado volte a circular, servindo como um fôlego extra para o Banco Central.

O cenário é complexo porque os argentinos trazem no histórico décadas de crises inflacionárias e confiscos bancários, o que gerou uma desconfiança crônica nas instituições financeiras. Convencer a população de que o dinheiro estará seguro e disponível é o principal obstáculo para o sucesso da proposta.

Como funciona a nova lei da inocência fiscal

A legislação aprovada traz mudanças profundas na forma como o Estado encara o patrimônio dos cidadãos. O objetivo é reduzir o medo de perseguição fiscal e facilitar a regularização de bens sem a imposição de punições severas que eram aplicadas anteriormente.

  • O limite mínimo para investigações de evasão foi elevado para cerca de 70 mil dólares por ano fiscal.
  • Os prazos de prescrição para crimes financeiros foram reduzidos drasticamente.
  • Foi criado um novo regime tributário que isenta os inscritos de informar variações patrimoniais detalhadas.
  • O Banco Nación foi colocado à disposição caso bancos privados imponham exigências excessivas para os depósitos.
  • A promessa do Ministério da Economia é de que os valores depositados poderão ser utilizados imediatamente para consumo ou investimento.

O embate entre a recuperação econômica e o risco da lavagem de dinheiro

Apesar do otimismo do governo, a medida enfrenta críticas severas da oposição e de setores da sociedade civil. O principal temor é que a flexibilização das regras transforme a Argentina em um porto seguro para o capital de origem ilícita. Líderes políticos argumentam que a lei pode facilitar a vida de criminosos e narcotraficantes que buscam limpar dinheiro sujo através do novo sistema.

Jorge Taiana, deputado da oposição, alertou publicamente que a proposta pode desfigurar os mecanismos de controle financeiro do país. Por outro lado, o ministro Luis Caputo defende que a prioridade absoluta é o crescimento econômico e a liberdade do cidadão de dispor de suas economias de forma produtiva, gerando juros e movimentando o comércio.

Por que os argentinos ainda desconfiam do sistema bancário

A cultura de poupar em dólares debaixo do colchão não é um capricho, mas uma tática de sobrevivência desenvolvida ao longo de gerações. Com uma inflação que frequentemente corrói o poder de compra do peso em poucos dias, a moeda americana se tornou a unidade de medida real da economia argentina.

O sucesso da lei de inocência fiscal dependerá menos das letras no papel e mais da capacidade do governo de manter a estabilidade econômica nos próximos meses. Se os cidadãos perceberem que as regras do jogo não mudarão no meio do caminho, o país pode finalmente ver o retorno de bilhões de dólares que hoje estão escondidos, ajudando a Argentina a atravessar um dos anos mais desafiadores de sua história recente.

Fonte: https://jovempan.com.br/noticias/mundo/milei-promulga-lei-para-que-argentinos-regularizem-economias-em-dolares.html

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.