
O mundo iniciou este novo ano sob o impacto de uma declaração que mistura esperança e cautela extrema. Em sua mensagem de vídeo na noite de 31 de dezembro, o presidente Volodymyr Zelensky revelou que as negociações para um acordo de paz com a Rússia avançaram significativamente, atingindo a marca de 90% de conclusão. No entanto, o líder ucraniano fez questão de enfatizar que os 10% restantes não são apenas uma formalidade estatística, mas o núcleo que definirá a soberania de seu país e a segurança da Europa para as próximas décadas.
Este cenário coloca a diplomacia internacional em um estado de alerta máximo neste 1º de janeiro. A proposta de paz, que conta com a mediação direta dos Estados Unidos, tenta encontrar um ponto de equilíbrio em questões territoriais que até agora pareciam insolúveis. Zelensky deixou claro que a Ucrânia deseja o fim da guerra, mas reforçou que o preço não pode ser a entrega da dignidade nacional ou a aceitação de termos que premiem a agressão russa.
O significado real dos 10% restantes
A análise de Zelensky sobre a reta final das negociações revela que o progresso alcançado até agora cobriu pontos logísticos e humanitários, mas esbarrou no que há de mais sensível. “O acordo de paz está 90% pronto, restam 10%. E isso é muito mais que apenas números”, afirmou o presidente. Esses detalhes finais envolvem a garantia de que a Rússia não terá condições de retomar as hostilidades no futuro, uma exigência que Kiev considera inegociável.
As principais incertezas que marcam este início de 2026 incluem os seguintes pontos:
- A definição jurídica e territorial das regiões ocupadas no leste ucraniano.
- O estabelecimento de garantias de segurança internacionais que funcionem como um escudo real.
- A criação de mecanismos de monitoramento que impeçam o rearmamento russo nas fronteiras.
- O reconhecimento internacional da autonomia ucraniana para decidir suas alianças futuras.
A resistência contra a ocupação definitiva do Donbass
Um dos maiores entraves permanece sendo a pressão de Vladimir Putin pelo controle total da região do Donbass. Zelensky foi incisivo ao classificar essa exigência como uma armadilha retórica. Segundo o líder ucraniano, ceder território sob a promessa de paz é uma estratégia perigosa que Moscou já utilizou no passado.
Em seu discurso, o presidente destacou a falsidade desse tipo de proposta com a seguinte frase.
“‘Saiam do Donbass e tudo estará terminado’. É assim que soa a fraude quando se traduz do russo para o ucraniano, o inglês, o alemão, o francês e, de fato, para qualquer idioma do mundo”, declarou Zelensky.
Essa postura sinaliza que a Ucrânia não aceitará um acordo que se baseie apenas em promessas verbais de cessar-fogo sem mudanças estruturais na postura do Kremlin.
Garantias de segurança e o papel das potências internacionais
Neste primeiro dia de 2026, a atenção se volta para o plano de paz articulado pelos Estados Unidos. A proposta inclui garantias de segurança de longo prazo para a Ucrânia, possivelmente estendendo-se por quinze anos, conforme discutido em reuniões recentes na Flórida. Zelensky entende que esses mecanismos são essenciais para que o país possa se reconstruir sem o medo constante de uma nova invasão.
O desfecho dessa negociação em 2026 será o divisor de águas para a geopolítica global. Se os 10% finais forem resolvidos com justiça e firmeza, a Europa poderá finalmente vislumbrar uma era de estabilidade. Caso contrário, o acordo corre o risco de ser apenas uma trégua temporária que deixará feridas abertas no coração do continente. A Ucrânia entra neste novo ano disposta a negociar, mas mantendo a guarda alta contra o que Zelensky define como a fraude diplomática russa.











