O barulho que pode transformar a virada do ano em um problema de saúde permanente

Barulho intenso das explosões pode causar zumbido, perda auditiva e até surdez súbita; saiba como proteger os ouvidos durante as festas

Foto: Reprodução IA

As festas de fim de ano trazem um espetáculo de luzes que encanta gerações, mas o preço desse entretenimento pode ser alto para a nossa saúde. O que muitos consideram apenas um barulho festivo é, na verdade, um agente agressor capaz de causar danos irreversíveis ao sistema auditivo em questão de milissegundos. Celebrar a chegada de um novo ciclo não deveria significar o início de um problema crônico de saúde.

Especialistas alertam que a exposição a ruídos de alta intensidade é uma das causas mais comuns de perda auditiva evitável. O problema é que, diferente de uma ferida externa, o dano interno no ouvido muitas vezes é silencioso e cumulativo, manifestando-se de forma definitiva quando já não há muito o que fazer.

A ciência por trás do barulho e os limites do corpo

Para entender o risco, precisamos olhar para os números que definem a segurança dos nossos ouvidos. A Organização Mundial da Saúde estabelece que o limite seguro para a audição humana é de 85 decibéis. Quando falamos de fogos de artifício e rojões, esses valores saltam para patamares alarmantes.

  • Fogos de artifício comuns atingem facilmente 120 decibéis.
  • Em explosões próximas, esse volume pode chegar a 150 decibéis.
  • O impacto sonoro de um rojão pode ser comparado ao ruído de um motor de avião a jato.

Nesse nível de pressão sonora, as células sensoriais do ouvido interno podem ser destruídas instantaneamente. É o que a medicina chama de trauma acústico, uma lesão física causada pela onda de choque da explosão.

Fatos recentes e a tendência dos eventos silenciosos

Recentemente, diversas cidades brasileiras e capitais ao redor do mundo começaram a adotar legislações que proíbem fogos de estampido. Essa mudança não é apenas uma questão de conforto, mas de saúde pública e inclusão. Além do risco auditivo para adultos, o barulho extremo afeta severamente bebês, idosos, animais de estimação e, especialmente, pessoas com transtorno do espectro autista, que possuem hipersensibilidade sensorial.

A tecnologia já permite substitutos à altura, como os fogos de efeitos visuais sem explosão sonora e os shows de drones, que oferecem um espetáculo moderno e seguro. A conscientização coletiva está transformando a forma como celebramos, priorizando o bem-estar de todos os presentes.

Sinais de alerta que você não deve ignorar

O corpo costuma enviar sinais imediatos quando algo está errado após uma exposição sonora intensa. Se você sentir algum dos sintomas abaixo logo após a queima de fogos, sua audição pode ter sofrido um trauma.

  • Zumbido constante que persiste por horas.
  • Sensação de ouvido tapado ou abafado.
  • Dificuldade súbita para entender o que as pessoas dizem.
  • Tontura ou desequilíbrio logo após o ruído.
  • Dor aguda ou estalos frequentes no canal auditivo.

O zumbido é o sinal mais clássico. Ele funciona como um pedido de socorro das células do ouvido que foram sobrecarregadas. Embora em alguns casos ele desapareça, sua presença indica que houve algum nível de sofrimento celular.

Como proteger sua audição sem abrir mão da festa

A prevenção ainda é a ferramenta mais eficaz, já que a recuperação total da audição após um trauma grave nem sempre é possível. Existem medidas simples que garantem a segurança sem estragar o momento da virada.

  • Mantenha uma distância mínima de 15 metros de qualquer ponto de detonação.
  • Utilize protetores auriculares de silicone ou espuma, que reduzem a pressão sonora significativamente.
  • Evite ficar próximo a caixas de som ou locais fechados onde o eco potencializa o barulho dos fogos.
  • Proteja as crianças com abafadores do tipo concha, pois o canal auditivo delas é mais sensível que o dos adultos.

Caso os sintomas como perda de audição ou zumbido persistam por mais de 24 horas, buscar um otorrinolaringologista é indispensável. O diagnóstico precoce e o uso de medicações específicas logo após o trauma podem salvar a capacidade auditiva e evitar a surdez definitiva.

Fonte: https://saude.ig.com.br/2025-12-31/os-riscos-dos-fogos-de-artificio-para-a-audicao.html

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