Fim de ano esquenta com ofensiva política contra Alexandre de Morae

Ministro Alexandre de Moraes - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Enquanto a maioria dos brasileiros aproveita as festas de fim de ano, os corredores da Câmara dos Deputados em Brasília fervilham com uma movimentação incomum. A oposição decidiu interromper o descanso parlamentar para dar início a uma ofensiva que promete elevar a temperatura política no início de 2026. O foco central é a pressão pela abertura de um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob a liderança de figuras proeminentes da direita.

A convocação feita para esta segunda feira, 29/12, reflete um descontentamento acumulado que agora transborda em medidas formais de fiscalização. O novo líder da oposição, deputado Cabo Gilberto Silva, (PL-PB), é o porta voz dessa mobilização que busca organizar o Congresso Nacional antes mesmo da retomada oficial dos trabalhos em fevereiro.

A decisão de retornar à capital federal em pleno recesso parlamentar é vista como uma estratégia de demonstração de força política. Segundo Gilberto Silva, a iniciativa visa intensificar a pressão sobre a Suprema Corte diante de uma insatisfação que ele descreve como generalizada. O deputado afirmou que a presença de parlamentares em Brasília serve para canalizar o sentimento de que “ninguém aguenta mais” as decisões e posturas do ministro Alexandre de Moraes.

A previsão indica que pelo menos 16 congressistas, entre deputados federais e senadores, participem da coletiva para formalizar os próximos passos dessa ofensiva. A articulação ganhou um reforço importante com o pedido de impeachment já protocolado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que serve como base técnica para o movimento.

As denúncias de advocacia administrativa e o caso Banco Master

O combustível mais recente para este embate político surgiu de reportagens que apontam uma suposta conduta irregular do ministro. A acusação central envolve uma possível intermediação de Alexandre de Moraes junto ao Banco Central (BC), presidido por Gabriel Galípolo, em benefício do Banco Master.

A senadora Damares Alves aponta que tal prática poderia ser configurada como advocacia administrativa. Por outro lado, o ministro Moraes tentou se defender publicamente através da divulgação de três notas oficiais. Nessas comunicações, ele alega que o tema tratado com Galípolo foi a Lei Magnitsky e nega qualquer intercessão em favor de interesses privados de instituições bancárias.

Detalhes sobre a atuação política e as investigações em curso

Para facilitar a compreensão do cenário atual, apresentamos os pontos fundamentais que sustentam as denúncias e os novos desdobramentos legislativos.

  • A jornalista Malu Gaspar revelou que o encontro entre o ministro e o presidente do Banco Central teria como objetivo facilitar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
  • Existem suspeitas levantadas sobre um contrato de aproximadamente 129 milhões de reais entre o Banco Master e o escritório de advocacia da família do ministro, gerido por Viviane Barci de Moraes.
  • O senador Alessandro Vieira anunciou que pretende coletar assinaturas para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) logo após o fim do recesso.
  • O deputado Marcel van Hattem reforçou a gravidade do caso ao declarar que “nossa responsabilidade como fiscais do poder público é inescapável” diante das revelações sobre contratos milionários.

O futuro do impeachment sob a gestão de Davi Alcolumbre

Embora a Câmara dos Deputados seja o palco desta coletiva, o destino final de qualquer pedido de impeachment contra ministros do STF, repousa nas mãos do presidente do Senado Federal. Atualmente, esse papel cabe a Davi Alcolumbre (UB-AP), que acumula dezenas de pedidos semelhantes em sua gaveta sem que nenhum tenha avançado para uma tramitação real.

O desafio da oposição agora é transformar o barulho das redes sociais e das coletivas em Brasília em uma pressão política capaz de obrigar o Senado Federal a abrir o processo. O senador Alessandro Vieira (MDB), destacou que sua intenção com a CPI é investigar o valor do contrato com o escritório da família do ministro, o qual ele classifica como fora do padrão da advocacia comum.

A expectativa para os próximos dias é de que o movimento cresça conforme mais parlamentares se sintam pressionados por suas bases eleitorais a tomarem uma posição sobre o caso Banco Master. O equilíbrio entre os poderes está, mais uma vez, sob teste rigoroso em um final de ano marcado por graves acusações e mobilizações de emergência no coração da democracia brasileira.

Fonte: https://www.metropoles.com/brasil/oposicao-tenta-driblar-recesso-e-ampliar-pressao-sobre-moraes

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.