Desmatamento vira prioridade apenas para faixas de renda mais baixas, indica estudo

50% dos brasileiros que ganham entre 1 e 2 salários mínimos apontam o desmatamento como maior preocupação ambiental

Foto: Freepik

A preocupação com o desmatamento no Brasil é maior entre a população de menor poder aquisitivo. É o que revela a pesquisa “Hábitos Sustentáveis & Percepções sobre o Plástico”, realizada pela empresa Nexus e encomendada pelo Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo (Sindiplast).

O levantamento, que entrevistou 2.009 brasileiros com 16 anos ou mais nas 27 unidades da federação (com margem de erro de dois pontos percentuais), detalha como a percepção sobre a destruição das florestas varia conforme a faixa de renda.

A percepção do desmatamento por faixa de renda

O estudo mostra que o desmatamento é um assunto de maior prioridade para quem vive com uma renda mais modesta.

A maior preocupação foi registrada na faixa de renda entre 1 a 2 salários mínimos, na qual 50% dos entrevistados consideram o desmatamento uma grande preocupação.

A priorização do tema diminui nas faixas de renda mais altas:

  • 2 a 5 salários mínimos: 43% mencionam o desmatamento.
  • Até 1 salário mínimo: 40% mencionam o tema.
  • Mais de 5 salários mínimos: Apenas 34% consideram o desmatamento uma prioridade, sendo este o menor índice da pesquisa.

O contexto da Amazônia: desmatamento e pobreza

Os resultados da pesquisa ganham relevância quando aplicados ao contexto da Amazônia Legal, onde estudos demonstram uma forte ligação entre a degradação ambiental e a vulnerabilidade social.

Desigualdade e degradação

A relação observada na pesquisa – maior preocupação ambiental entre faixas de menor renda – encontra eco em estudos que indicam que a destruição florestal está, em parte, ligada à necessidade de sobrevivência de populações vulneráveis. Municípios com maior índice de pobreza tendem a registrar níveis mais altos de desmatamento.

Impactos socioeconômicos do desmatamento

O desmatamento na Amazônia não só causa danos ambientais, mas também desencadeia graves impactos sociais e econômicos. Entre as consequências diretas estão:

  • Violação dos direitos humanos e aumento da violência.
  • Aumento da pobreza a longo prazo, pois a degradação ambiental dificulta a recuperação econômica e a sustentabilidade.
  • Problemas de saúde, como o aumento de doenças respiratórias devido à fumaça das queimadas.

Floresta em pé como alternativa de renda

Especialistas e projetos de desenvolvimento sustentável na região defendem que o aumento da renda per capita e a urbanização podem ajudar a conter o desmatamento, ao tornar atividades não dependentes da terra mais atrativas economicamente. Iniciativas que promovem o manejo sustentável das cadeias produtivas (como açaí, óleos vegetais e artesanato) geram renda e emprego para as populações tradicionais, provando que a floresta vale mais em pé.

Tendências recentes

Apesar dos desafios persistentes, dados recentes mostram tendências de queda na taxa de desmatamento na Amazônia Legal (com queda de 30,6% em 2024, a maior em 15 anos), um movimento atribuído à intensificação das ações de comando e controle e ao fortalecimento de instrumentos de desenvolvimento sustentável.

Ana Claudia Silva | Giusti / FSB Holding

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