Medicamentos não funcionam mais: OMS alerta para avanço das superbactérias

Dados são do mais recente relatório do Sistema Global de Vigilância da Resistência e do Uso de Antimicrobianos (Glass), que analisou informações de 104 países entre 2018 e 2023

Foto: Unsplash/Adrian Lange

Novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que a resistência antimicrobiana está avançando mais rapidamente do que a medicina, com foco especial nas bactérias gram-negativas e uma situação preocupante no Brasil.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta nesta segunda-feira (13) sobre o avanço preocupante da resistência antimicrobiana (RAM). Segundo o mais recente relatório do Sistema Global de Vigilância da Resistência e do Uso de Antimicrobianos (Glass), uma em cada seis infecções bacterianas registradas no mundo já apresenta resistência a antibióticos.

O estudo, que analisou dados de 104 países entre 2018 e 2023, aponta que mais de 40% das combinações entre patógenos e antibióticos monitoradas tiveram um aumento na resistência, com crescimento médio anual entre 5% e 15%.

“A resistência antimicrobiana está avançando mais rápido que os progressos da medicina moderna, ameaçando a saúde das famílias em todo o mundo”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Cenário global e regional

A resistência antimicrobiana é mais grave em regiões com sistemas de saúde frágeis.

  • Regiões Mais Afetadas: O Sudeste Asiático e o Mediterrâneo Oriental lideram, com uma média de uma em cada três infecções resistentes.
  • África: A proporção é de uma em cada cinco infecções.

As bactérias mais preocupantes

O relatório destaca que as bactérias gram-negativas representam as maiores ameaças, pois são as principais causas de infecções na corrente sanguínea que podem evoluir para sepse, falência de órgãos e morte.

  • Tipos Críticos: Escherichia coli ( coli) e Klebsiella pneumoniae.
  • Resistência a Tratamento de Primeira Escolha: Mais de 40% das cepas de coli e 55% das de K. pneumoniae são resistentes às cefalosporinas de terceira geração. Na África, essa taxa ultrapassa 70%.
  • Opções Reduzidas: Antibióticos essenciais, como carbapenêmicos e fluoroquinolonas, perderam eficácia, forçando o uso de medicamentos de último recurso — que são mais caros e de difícil obtenção.

A situação da resistência no Brasil

No Brasil, o foco de maior preocupação são as infecções da corrente sanguínea.

Principais Patógenos e Resistências:

  • Staphylococcus aureus: Responsável por 36,9% dos casos, com 52,8% de resistência à meticilina.
  • Klebsiella pneumoniae: Corresponde a 25,5% dos casos, apresentando 41,1% de resistência ao antibiótico imipenem.
  • coli: Representa 25,9% dos casos, com 34,6% de resistência às cefalosporinas de terceira geração.

Resistência em Infecções Urinárias (E. coli):

  • 46,8% de resistência ao cotrimoxazol.
  • 37,5% de resistência às fluoroquinolonas.
  • 25,8% de resistência às cefalosporinas.

Reforço na vigilância global

A OMS sublinha a necessidade urgente de fortalecer os sistemas de saúde globais. Embora o número de países participantes do sistema Glass tenha quadruplicado desde 2016 (passando de 25 para 104), quase metade das nações ainda não envia dados.

A Assembleia Geral da ONU aprovou uma declaração política em 2024, estabelecendo metas para aprimorar a vigilância e adotar uma abordagem integrada entre os setores humano, animal e ambiental.

“Nosso futuro depende do uso responsável de antibióticos e do investimento em novos medicamentos, diagnósticos e vacinas”, concluiu Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Fonte: https://jovempan.com.br/noticias/mundo/uma-em-cada-seis-infeccoes-bacterianas-no-mundo-e-resistente-a-antibioticos-alerta-oms.html

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