
A recém-criada Federação Progressista (UPb), formada pela união entre União Brasil e Partido Progressista, já nasce em meio a turbulências que ameaçam sua sobrevivência no Amazonas.
Nos bastidores, a crise vem sendo apontada como a oportunidade de ouro para o Avante, do prefeito de Manaus, David Almeida, que pode se tornar o porto seguro de parlamentares insatisfeitos e, consequentemente, um dos partidos mais fortalecidos no xadrez eleitoral de 2026.
O quadro é claro: quando a “janela partidária” abrir no próximo ano, nomes de peso como os deputados federais Pauderney Avelino e Saullo Vianna devem desembarcar da Federação para se abrigar no Avante. Saullo, hoje licenciado para comandar a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), tem destino quase certo na sigla do prefeito.
Já Pauderney, suplente que voltou à Câmara com a licença de Saullo, embora esconda do público, anda desconfortável com o governador Wilson Lima, presidente da Federação no Amazonas e pré-candidato ao Senado.
Rota de colisão
Outro quadro em xeque é o deputado federal Fausto Júnior, em rota de colisão com o presidente da ALE-AM, Roberto Cidade, também pré-candidato à Câmara Federal.
O rompimento entre os dois escancarou as fissuras internas do União Brasil e colocou Fausto em um dilema: dentro da Federação, sua reeleição corre sérios riscos. Isso porque os cálculos eleitorais indicam que a UPb deve eleger, no máximo, dois deputados federais em 2026. Na prática, apenas quem ultrapassar a barreira dos 200 mil votos tem chances reais de assegurar uma das vagas.
O dilema de Fausto é ainda mais espinhoso. Apesar do robusto fundo partidário da Federação, ele não tem garantias de estar entre os mais votados. Ao mesmo tempo, está de mãos atadas: não pode migrar nem para o MDB de Eduardo Braga, nem para o Avante de David Almeida, já que ambos integram o bloco de apoio ao senador Omar Aziz (PSD), arquirrival político de Fausto e de sua mãe, Yara Lins, presidente do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM).
Dor de cabeça de WL
Enquanto isso, Wilson Lima vê crescer a dor de cabeça como comandante da Federação no estado. A possibilidade de esvaziamento do grupo, com a debandada de figuras como Pauderney e Saullo, ameaça não apenas a solidez da UPb, mas também os planos do governador, que precisa de uma base forte para viabilizar sua candidatura ao Senado em 2026.
No meio dessa turbulência, o Avante surge como a legenda mais bem posicionada para capitalizar a crise alheia. Sob a batuta de David Almeida, o partido pode se transformar em destino natural de políticos influentes e aumentar consideravelmente seu peso no cenário eleitoral do Amazonas.











