
Familiares e amigos prestaram as últimas homenagens a Arlindo Cruz em um velório na quadra do Império Serrano, em Madureira. A cerimônia, realizada no formato de gurufim, uma tradição africana de celebrar os mortos com música e dança, contou com uma grande roda de samba para celebrar a vida e a obra do artista.
Arlindo, torcedor da Verde e Branca e enredo da escola no Carnaval de 2023, faleceu nesta sexta-feira (8), aos 66 anos, após cinco meses internado na UTI do Hospital Barra d’Or. Ele lutava contra sequelas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) sofrido em 2017.
Homenagens emocionadas
- Flora Cruz, filha do sambista, destacou o legado de amor e generosidade do pai. “O Arlindo é para sempre. É eterno. A matéria está indo, mas o espírito…”.
- Arlindinho, filho do artista, comandou uma das rodas de samba e emocionou a todos ao cantar “O show tem que continuar”, do Fundo de Quintal. “É isso que eu vou fazer: seguir lutando e honrando o nome dele”, afirmou.
- A rainha de bateria do Império, Quitéria Chagas, relembrou o incentivo de Arlindo para que ela retornasse ao cargo.
- A escritora Conceição Evaristo elogiou a genialidade do cantor em transformar o cotidiano em poesia, chamando-o de “o poeta do samba”.
- Diversas celebridades estiveram presentes, como Regina Casé, Zeca Pagodinho, Maria Rita, Érika Januza e Marcelo D2.
A cerimônia, que contou com a distribuição de chope para o público, segue o desejo de Arlindo de ser velado com festa, como explicou Paula Maria, vice-presidente cultural do Império Serrano.
Mensagens de carinho e tributos
O velório recebeu diversas coroas de flores. Uma foi enviada pelo presidente Lula e pela primeira-dama Janja, que homenagearam o “talento, poesia e generosidade do sambista perfeito”. Outras homenagens vieram do prefeito Eduardo Paes, do governador Cláudio Castro, do contraventor Anísio Abrahão David e de escolas de samba como Portela e Beija-Flor.
Centenas de fãs compareceram para o último adeus. “O Arlindo é o mestre do samba, é indiscutível. Deixou um legado grande”, disse Jailton dos Santos, morador de Irajá.
Carreira e legado

Nascido em 1958, Arlindo Domingos da Cruz Filho começou na música aos 7 anos. Na década de 1980, integrou o grupo Fundo de Quintal, ajudando a renovar o samba. Em carreira solo, lançou álbuns aclamados e compôs mais de 500 canções. Ele também conquistou 19 Estandartes de Ouro por seus sambas-enredo.
Sua obra, que mescla tradição e inovação, é um retrato da vida carioca e da cultura popular. O cantor tinha uma forte conexão com Madureira, bairro que o inspirou a compor “Meu Lugar”, sucesso que fez parte da trilha sonora da novela “Avenida Brasil”.











