
Neste 22 de abril, o Dia da Terra levanta questionamentos que ultrapassam a entrega de mudas e o teatro de fantoches. Embora a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMMAS), celebre a marca de 367 mil mudas distribuídas pelo programa “Manaus Verde” desde 2021, a realidade térmica da capital exige uma análise mais profunda. O protagonismo individual, tema central deste ano, é um convite à autorresponsabilidade, mas não pode mascarar a necessidade de infraestrutura verde que combata as ilhas de calor.
Mudas e asfalto
A distribuição de espécies frutíferas e ornamentais é uma iniciativa válida para engajar o cidadão, mas o impacto na arborização urbana de larga escala ainda é tímido. Manaus enfrenta um crescimento desordenado que prioriza o concreto, resultando em uma sensação térmica que frequentemente ultrapassa os 40°C.
Entregar uma muda na mão do morador do bairro Educandos é o primeiro passo, porém o sucesso dessa política depende de fatores que o poder público precisa monitorar com rigor.
- Índice de sobrevivência das mudas plantadas pela população;
- Falta de sombreamento em grandes corredores viários;
- Manutenção técnica do patrimônio arbóreo existente.
Como destacou o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Fransuá Matos, o objetivo é que o morador plante no próprio quintal para reduzir o calor. Contudo, para quem vive em áreas de alta densidade e pouco espaço permeável, o serviço ambiental precisa vir da gestão pública nas calçadas e praças.
Além do lúdico
O uso de teatro de fantoches no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Professor José Érico Pereira de Souza cumpre o papel de educar as novas gerações. No entanto, em 2026, a educação ambiental precisa ser mais incisiva contra o crime ambiental.
A diretora de Arborização e Sustentabilidade, Eríany Souza, mencionou que a meta é sensibilizar sobre queimadas e denúncias. O desafio é que a sensibilização esbarra na impunidade. A linguagem atual não aceita mais apenas o discurso do “futuro”, ela exige fiscalização e soluções imediatas para a fumaça e o descarte de resíduos.
Dever compartilhado
O tema “nosso poder, nosso planeta” empodera o manauara, mas não deve transferir a responsabilidade da crise climática exclusivamente para o indivíduo. É impossível exigir que a população resolva a arborização se o planejamento urbano não oferecer calçadas adequadas ou se a poluição dos mananciais persistir.
O “Manaus Verde” apresenta números robustos, mas a eficiência será medida pela redução real das temperaturas nos bairros mais áridos. A preservação deve ser uma ação de estado técnica e coordenada.
“Queremos que a população sinta que faz parte de uma Manaus ainda mais verde”, afirmou Fransuá Matos.
Para que esse sentimento seja genuíno, o verde deve ocupar os espaços públicos com a mesma velocidade que o asfalto. O Dia da Terra em Manaus precisa ser um momento de cobrança por uma cidade que respeite seu DNA amazônico.
ASCOM: Taianna Castro/Semmas










