Maués Regularização em Maués revela força do campo e fragilidade do acesso contínuo...

Regularização em Maués revela força do campo e fragilidade do acesso contínuo a serviços públicos

Foto: Divulgaçãp/Idam

A recente ação do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (IDAM) na comunidade Nossa Senhora de Lourdes, em Maués, traz à tona um debate necessário sobre a eficiência do suporte estatal no interior. Entre quarta e quinta-feira (15 e 15/4), cerca de 60 agricultores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Urariá receberam auxílio para regularizar documentos e buscar crédito.

Embora o movimento seja positivo para a economia local, a polêmica reside na dependência extrema do produtor rural por ações itinerantes para garantir direitos básicos que deveriam ser acessíveis de forma contínua e menos burocrática.

Crédito rural e o peso da documentação

A regularização de documentos como o Cartão do Produtor Primário (CPP) e o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) é o primeiro passo para que o homem do campo saia da invisibilidade econômica. Sem esses registros, o acesso a financiamentos da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (AFEAM) ou da Caixa Econômica Federal torna-se impossível. O esforço técnico em processar 60 cartões e emitir 40 cadastros em dois dias demonstra uma demanda reprimida que sufoca o potencial produtivo da região de Maués.

Resultados da ação em Maués

  • Emissão e renovação de 60 Cartões do Produtor Primário para garantir isenções tributárias.
  • Processamento de 40 cadastros do CAF, fundamentais para acessar políticas públicas federais.
  • Realização de 55 análises de crédito para viabilizar investimentos em plantio e infraestrutura.
  • Execução de 20 visitas técnicas para orientação sobre boas práticas de cultivo e sustentabilidade.

Assistência técnica ou evento político

O envolvimento da Prefeitura Municipal de Maués e a presença de autoridades como o vice-prefeito Paulo José Batista Almeida reforçam o caráter institucional da força-tarefa. Entretanto, a crítica que surge das comunidades é se essas visitas técnicas conseguem oferecer um acompanhamento de longo prazo ou se servem apenas para apagar incêndios burocráticos.

O técnico agrícola Edy Carlos Cardoso destacou que o objetivo é levar serviços de extensão rural para dentro da reserva, mas o desafio é manter essa assistência viva após a partida das equipes.

“O atendimento teve como objetivo levar serviços de extensão rural, como regularização de documentos e o acesso às vias de crédito”, afirmou o técnico do IDAM, pontuando que a regularidade documental é a chave para o desenvolvimento.

Futuro da agricultura na RDS Urariá

Para que comunidades como a Nossa Senhora de Lourdes prosperem, é preciso que o modelo de extensão rural evolua para uma presença digital e física mais constante. A parceria entre o Governo do Amazonas e as prefeituras é vital, mas o produtor não pode ficar à mercê de calendários esporádicos para renovar sua licença de trabalho.

A modernização do sistema de emissão de documentos e a desburocratização do crédito são os verdadeiros divisores de águas que decidirão se o Amazonas continuará sendo um estado de potencial ou se tornará uma potência agrícola sustentável.

A ação em Maués é um passo importante, mas também um lembrete de que o caminho para a autonomia do agricultor familiar ainda passa por muitas assinaturas e carimbos.

O foco agora deve ser transformar esse suporte em uma estrutura permanente que não dependa de grandes mobilizações para funcionar.

Fonte: https://www.agenciaamazonas.am.gov.br/noticias/idam-atende-agricultores-familiares-em-maues-com-emissao-de-documentos-e-elaboracao-de-projetos-para-credito-rural/

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