
A gestão ambiental em grandes centros urbanos como Manaus frequentemente esbarra em um dilema que mistura segurança pública e memória afetiva. A ação da Prefeitura de Manaus, coordenada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMMAS), iniciada neste sábado (11/04), coloca o Centro Social Urbano (CSU) no centro de uma necessária renovação paisagística.
O plantio de 2 mil mudas de espécies nativas e frutíferas é um passo importante, mas a iniciativa levanta discussões sobre a manutenção preventiva e o tempo de resposta do poder público diante do envelhecimento da nossa floresta urbana.
A iniciativa da gestão do prefeito Renato Junior busca antecipar problemas graves. Muitas árvores antigas no local apresentam podridão e risco de queda, o que torna a intervenção não apenas estética, mas uma medida de proteção aos frequentadores.
Manejo necessário
A decisão de realizar a supressão de árvores condenadas costuma gerar resistência na população, porém o realismo técnico deve prevalecer.
Árvores com copas inclinadas, ataques de cupins e troncos ocos são ameaças reais em áreas de grande circulação.
Os principais pontos dessa modernização incluem:
- Substituição de palmeiras não nativas por espécies adequadas ao clima.
- Plantio de pau-pretinho e jutairana para ampliar o conforto térmico.
- Implementação de pomares com aceroleiras e gravioleiras para usufruto público.
- Atração da fauna regional para o equilíbrio do ecossistema urbano.
Olhar comunitário

O envolvimento dos frequentadores é o ponto alto dessa estratégia. O pastor missionário Heitor Lopes, que frequenta o parque há 30 anos, entende que a natureza tem ciclos. Ele relata ter visto o crescimento das árvores que agora precisam ser removidas, validando a necessidade da troca para manter o espaço seguro.
Essa aceitação popular é fruto do trabalho de conscientização feito pelas equipes de educação ambiental no local. Quando o cidadão entende que a retirada de uma planta doente dará lugar a uma vida nova, a gestão ganha um aliado na fiscalização.
Futuro sustentável
O cronograma estabelecido para todo o ano de 2026 demonstra que a arborização pública não pode ser tratada como um evento isolado, mas como política contínua. Programas como o “Disk Plantio” e “Pomares e Hortas Urbanas” mostram um caminho de descentralização, onde a prefeitura fornece a estrutura e a população ajuda no cuidado.
“A implantação de pomares no CSU do Parque 10 vai beneficiar o local como um todo no paisagismo e na redução de calor”, afirmou o secretário da SEMMAS, Fransuá Matos.
A meta de atingir o marco de 2 mil mudas plantadas apenas nesta área reflete uma tentativa de bater recordes de indicadores ambientais. Se o acompanhamento técnico for mantido com rigor, o CSU poderá servir de modelo para outros espaços públicos que hoje sofrem com o manejo inadequado da vegetação.
ASCOM: Taianna Castro / Semmas










