
A subida do nível dos rios no Amazonas impõe um desafio logístico que vai além da engenharia e atinge diretamente a mesa do produtor rural. Nesta quinta-feira, 9 de abril, a Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS) concluiu a venda intermediada de 3,5 toneladas de jerimum produzidos em áreas de várzea no município de Manaquiri.
A operação não é apenas uma transação comercial, mas uma manobra estratégica para evitar que a produção se perca sob as águas, garantindo que o esforço do agricultor familiar se transforme em faturamento real.
A ação foi coordenada pelo “Programa Balcão de Agronegócios”, que conectou os produtores de Manaquiri a uma empresa privada do Distrito Industrial de Manaus. Ao assumir o papel de ponte entre o campo e a indústria, o Estado tenta mitigar o impacto da sazonalidade amazônica, que muitas vezes castiga quem planta nas regiões mais baixas e dependentes do ciclo das águas.
Estratégia de escoamento
O trabalho realizado pela ADS em 2026 foca em transformar a logística de um obstáculo em uma solução viável para o pequeno produtor. A intermediação garante que o produto saia da propriedade antes que o período crítico da cheia inviabilize o transporte ou estrague a colheita.
- O escoamento prioriza produtos de várzea como o jerimum devido à vulnerabilidade dessas áreas.
- O destino da carga foi o polo industrial, integrando a produção local ao consumo corporativo.
- Equipes técnicas realizam visitas prévias para mapear o volume de safra disponível.
- O auxílio logístico remove o atravessador da jogada, o que costuma elevar a margem de lucro de quem planta.
Valorização do produtor
A diretora-presidente da ADS, Michelle Bessa, reforça que a atuação do órgão ocorre em múltiplas frentes para evitar o desperdício.
“Esta iniciativa visa reduzir os prejuízos, principalmente os que são causados pelo período de cheia. Dessa forma, auxiliamos no escoamento da produção, evitando perdas e, ainda, gerando renda a esses agricultores familiares”, afirmou Michelle Bessa.
Além do Balcão de Agronegócios, programas como o Programa de Assistência Familiar (PAF) dão suporte para que o produtor não fique desamparado.
Para o agricultor Ederson de Sena, um dos beneficiados pela ação em Manaquiri, a principal vantagem está na garantia do preço justo.
“Muitas das vezes, a gente planta muito jerimum e não tem como escoar. E com esse trabalho da ADS é muito melhor do que nós vendermos os produtos mais baratos, porque o preço é muito bom”, destacou Ederson de Sena.
O depoimento revela o drama histórico do produtor amazonense, que muitas vezes precisa “leiloar” sua produção por valores baixos apenas para não perder tudo para a natureza.
Gargalos históricos
Embora a intermediação de 3,5 toneladas seja um avanço importante, o desafio do agronegócio sustentável no Amazonas ainda passa pela infraestrutura permanente. A dependência de ações pontuais durante a subida dos rios mostra que o setor precisa de investimentos contínuos em câmaras frias e processamento local para agregar valor ao produto.
A venda para o Distrito Industrial é um excelente sinal de que as empresas locais estão olhando para o cinturão agrícola de Manaus. Garantir que o jerimum de Manaquiri chegue às cozinhas industriais da capital com agilidade é o tipo de integração que fortalece a economia regional e protege o trabalhador rural dos imprevistos climáticos que são cada vez mais frequentes no calendário da Amazônia.











