
Nesta quarta-feira, 8 de abril, o calendário nacional celebra o braille, mas na Zona Sul de Manaus a data ganha um significado prático que desafia as estatísticas. A EE Joana Rodrigues Vieira, um dos pilares da educação especial no Amazonas, transformou o “Dia Nacional do Braille” em um movimento de conscientização que envolve muito mais do que apenas os alunos. O foco agora é treinar os olhos e as mãos de quem está em volta, garantindo que a cegueira não seja um muro intransponível para o conhecimento.
Estrutura de ensino
O atendimento oferecido pela instituição é dividido por ciclos de desenvolvimento, respeitando a biologia e a prontidão de cada criança. Esse cuidado garante que o aprendizado seja natural e eficaz, permitindo que o estudante desenvolva autonomia desde os primeiros meses de vida.
- Estimulação precoce: crianças de 6 meses a 3 anos recebem estímulos específicos para desenvolver os outros sentidos.
- Pré-escola especial: voltada para a faixa dos 4 aos 5 anos de idade, preparando a base para o ensino fundamental.
- Alfabetização tátil: a partir dos 6 anos, do 1º ao 5º ano, com foco total no sistema braille e no uso do sorobã para cálculos.

Invisibilidade escolar
Um dos maiores problemas apontados pela gestão escolar é o isolamento social. Muitas famílias, por falta de informação ou receio, deixam de matricular crianças com deficiência visual na rede de ensino. Isso gera um atraso no desenvolvimento que dificilmente será recuperado em idades mais avançadas.
O diretor da unidade, Antônio Anízio, ressalta que o desconhecimento é o maior inimigo da inclusão, pois impede que jovens talentos tenham acesso às ferramentas universais de leitura e escrita.
Multiplicadores do saber
As oficinas realizadas nesta quarta-feira buscaram transformar pais e professores de escolas regulares em verdadeiras pontes. Não adianta o aluno aprender braille se em casa ninguém entende como ajudá-lo com as tarefas escolares.
Da mesma forma, os professores da rede comum precisam estar preparados para receber esses estudantes futuramente, atuando como multiplicadores do método baseado em células de seis pontos em relevo.
“Quando a gente se prepara, a gente também consegue lidar com pessoas que precisam dessa atividade”, afirmou Joelma Mendes, assessora da Gerência de Atendimento Educacional Especial (GAEE).

Impacto social
Quando a educação se abre para a comunidade, o preconceito diminui e a autonomia aumenta. A proposta da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar é criar um ambiente onde a leitura com os dedos seja vista com a naturalidade que merece.
Investir na capacitação de familiares e docentes da “Coordenadoria Distrital 4” é uma estratégia inteligente para que a inclusão saia do papel e se torne uma realidade cotidiana nas ruas e escolas de Manaus. O conhecimento compartilhado hoje garante que nenhuma criança seja deixada para trás por falta de oportunidade.










