
O setor de turismo do estado deu um passo estratégico nesta quarta-feira (1º/4) ao lançar o novo Plano Estadual de Turismo, um documento robusto que servirá como bússola para o desenvolvimento pelos próximos dez anos.
A iniciativa quebra um jejum de 15 anos sem um planejamento de longo prazo e estabelece metas claras para organizar o crescimento da atividade em todas as calhas de rios.
Com foco em infraestrutura e qualificação, o plano busca profissionalizar a experiência do visitante e garantir que a riqueza natural se converta em benefícios diretos para a população local.
Diretrizes para a próxima década
O novo plano foi estruturado pela Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur) sob a regência da Lei Estadual de Turismo nº 8.021 (8.021/2026). Ele não é apenas um guia de intenções, mas um conjunto de ações práticas que visam integrar o poder público, as prefeituras e a iniciativa privada.
O governador Wilson Lima destacou que o documento define o perfil de turista que a região deseja atrair e orienta onde os investimentos devem ser aportados para gerar resultados concretos.
Prioridades do destino
A estratégia foca em nichos onde o estado já possui protagonismo mundial, mas que ainda carecem de ordenamento e promoção mais agressiva.
O documento detalha áreas específicas que receberão atenção especial para atrair novos investimentos.
- Turismo de natureza e aventura com foco na sustentabilidade.
- Pesca esportiva, que já é um gigante econômico no interior.
- Etnoturismo e turismo cultural para valorizar comunidades tradicionais.
- Turismo náutico e de negócios, aproveitando a estrutura do Centro de Convenções Vasco Vasques.
- Ampliação da conectividade aérea para facilitar o acesso aos municípios.
Resultados que impressionam
O lançamento ocorre em um cenário de otimismo. Em 2025, o estado recebeu mais de 460 mil visitantes, o que representa um crescimento de 10,8% em comparação ao ano anterior. Esse fluxo de pessoas injetou mais de R$ 1,1 bilhão na economia local, provando que o turismo é uma das cadeias produtivas mais dinâmicas, movimentando desde grandes hotéis até o pequeno artesão e o guia de selva.
“Hoje nós estamos entregando um documento que é muito importante, um documento que nos dá as diretrizes daquilo que a gente quer para os próximos 10 anos no que diz respeito ao desenvolvimento do turismo”, afirmou Wilson Lima.
Impacto no interior
O plano beneficia diretamente os municípios que possuem forte apelo natural. Durante a temporada 2024/2025, a pesca esportiva sozinha atraiu 35 mil turistas e movimentou R$ 229 milhões.
Já o Festival de Parintins continua sendo a maior vitrine cultural, atraindo 120 mil visitantes e gerando uma receita de R$ 215 milhões na Ilha Tupinambarana. Para a empresária Cláudia Mendonça, a expectativa é que o novo ordenamento melhore a experiência do turista em Manaus e em todas as regiões, criando um ambiente mais encantador e profissional.
Análise do planejamento
Embora o plano seja um avanço histórico, o desafio para os próximos dez anos será a execução rigorosa das metas de infraestrutura. O turismo local ainda enfrenta gargalos logísticos e custos elevados de deslocamento que podem limitar o acesso de visitantes nacionais.
A criação de indicadores de monitoramento prevista no documento será essencial para avaliar se os investimentos estão, de fato, alcançando as comunidades tradicionais e promovendo a conservação ambiental.
Turismo como política de estado
A presença de prefeitos de cidades como Presidente Figueiredo, Novo Airão e Rio Preto da Eva no lançamento reforça a interiorização do turismo. Com a integração proposta pelo plano, a região deixa de ser apenas um destino de passagem para se consolidar como um roteiro de experiências profundas.
Se as diretrizes de qualificação e conectividade aérea forem cumpridas, o setor tem tudo para se tornar, definitivamente, um dos principais pilares do Produto Interno Bruto (PIB) amazonense até 2036.










