
O cenário geopolítico caribenho volta a esquentar com as recentes declarações do governo cubano sobre a preparação para uma possível agressão militar dos Estados Unidos (EUA). A tensão crescente ocorre em um momento crítico para a ilha que enfrenta uma grave crise energética e apagões constantes. A situação foi detalhada no último domingo (22/3) pelo vice-ministro de Relações Exteriores de Cuba.
Durante uma entrevista concedida à emissora NBC News no programa “Meet the Press” o diplomata Carlos Fernández de Cossío garantiu que as forças armadas cubanas estão sempre preparadas para defender o território. O representante destacou que seria uma ingenuidade não contemplar esse cenário de invasão após os recentes desdobramentos internacionais como a queda de Nicolás Maduro na Venezuela e a agressão militar ao Irã.
Apesar do alerta o vice-ministro ressaltou que Havana não considera provável um conflito armado e que não existe qualquer justificativa para uma ação militar contra a ilha.
“Esperamos realmente que isso não aconteça”, afirmou Carlos Fernández de Cossío reforçando o desejo de paz.
Ele defendeu que Cuba é um país pacífico e não representa ameaça aos norte-americanos embora mantenha o seu direito soberano de autodefesa. O governo cubano também reiterou a vontade de manter o diálogo diplomático com Washington.
O peso das palavras de Trump
As preocupações em Havana ganharam força após declarações contundentes do atual presidente dos EUA na semana passada. O mandatário norte-americano adotou um tom ameaçador sobre o futuro da ilha caribenha.
“Seria uma grande honra tomar Cuba e acho que posso fazer o que quiser com ela”, disse Donald Trump elevando a temperatura nas relações entre os dois países.
Esses atritos bilaterais se intensificaram na sequência de novas medidas aplicadas pela administração norte-americana. As ações incluem maiores pressões econômicas e avisos de possíveis atitudes mais enérgicas contra o governo cubano.
Crise energética e apagões
Além da pressão externa a população cubana lida com um colapso interno na infraestrutura. O líder cubano denunciou o forte impacto do embargo americano especialmente em relação às severas restrições ao abastecimento de combustível. Essa barreira agravou profundamente a crise energética na ilha causando apagões frequentes e dificuldades extremas em setores fundamentais para a sociedade como os transportes e a saúde.
No domingo as autoridades locais informaram que o sistema elétrico nacional havia sido restabelecido após um novo apagão geral que foi o segundo registrado em menos de uma semana. Na capital Havana grande parte do serviço de energia foi gradualmente normalizada durante o dia embora os responsáveis pelo setor tenham advertido que a procura da população continua a exceder amplamente a capacidade de produção das usinas.









