
Parece piada de mau gosto, mas no Flamengo, a lógica costuma passar longe da Gávea. O time aplica uma goleada histórica de 8 a 0 sobre o Madureira e, como “recompensa”, o técnico Filipe Luís recebe o bilhete azul.
É aquele tipo de situação onde o sucesso incomoda tanto quanto o fracasso, especialmente quando a política interna resolve entrar em campo.
O desgaste não é de hoje. A relação entre o treinador e Luiz Eduardo Baptista (Bap), presidente do clube, já vinha fazendo água desde as negociações de renovação no final de 2025. Bap resolveu assumir as rédeas e, a partir dali, a queda de braço estava armada. Filipe Luís, multicampeão como jogador e agora vitorioso no banco de reservas, descobriu da pior forma que ter o apoio da torcida e ótimos números não basta se o “chefe” não estiver satisfeito com o tom da conversa.
Crises de bastidores
Mesmo com um histórico recente pesado, a diretoria não engoliu os tropeços na “Supercopa Rei” e na “Recopa Sul-Americana”. Internamente, o descontentamento era gritante. Para a cúpula rubro-negra, perder para o Lanús no Maracanã foi a gota d’água, e nem mesmo um placar de futsal contra o Madureira conseguiu apagar o incêndio provocado pelas decisões de gabinete.
Decisão sem volta
O roteiro da demissão foi digno de um drama de cinema. Após a goleada, enquanto Filipe Luís falava com a imprensa, o diretor de futebol José Boto já preparava o terreno. No fim das contas, Boto foi apenas o mensageiro de uma decisão que Bap já havia selado muito antes do apito final.
O legado técnico
Apesar da saída conturbada, o que Filipe Luís construiu em pouco tempo é incontestável. Ele elevou o Flamengo ao patamar de elite mundial, batendo de frente com o Paris Saint-Germain (PSG) no “Mundial de Clubes” e só perdendo nos pênaltis. Sob seu comando, o time faturou a “Copa do Brasil”, a “Libertadores” e o “Brasileirão”, provando que o talento que ele tinha nos pés migrou com perfeição para a prancheta.
Fique por dentro
Filipe Luís encerra sua passagem com números impressionantes que deixariam qualquer treinador seguro no cargo em um clube normal. Foram 101 jogos, acumulando 63 vitórias, 23 empates e apenas 15 derrotas. Ele subiu degrau por degrau, vindo das categorias “Sub-17” e “Sub-20”, onde também já havia conquistado o mundo. Agora, o Flamengo volta ao mercado em busca de uma nova identidade, enquanto seu antigo ídolo sai de cabeça erguida e bolsos cheios de títulos.










