
O xadrez político brasileiro atingiu aquele nível de ironia fina neste sábado (28/2). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva calçou suas galochas e desembarcou na Zona da Mata mineira para acompanhar de perto os estragos causados pelas chuvas intensas. A agenda humanitária focada na reconstrução de cidades como Juiz de Fora ocorre em um momento de altíssima voltagem.
Afinal enquanto o presidente olha para a lama o Congresso Nacional e o Judiciário avançam em investigações que atingem em cheio o núcleo familiar da Presidência da República.
A culpa é de quem
Durante o sobrevoo pelas áreas afetadas o governo federal subiu o tom contra a gestão estadual. O Palácio do Planalto criticou abertamente o governador de Minas Gerais Romeu Zema pela suposta demora na aplicação de recursos destinados à prevenção de desastres climáticos.
Na matemática de Brasília o estado teria deixado de utilizar cerca de R$ 3,5 bilhões provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que poderiam ter mitigado os impactos das enchentes atuais.
“Nós colocamos em prevenção mais de R$ 32 bilhões”, afirmou o presidente Lula em reunião com prefeitos mineiros reforçando a necessidade de os estados apresentarem projetos viáveis para a liberação de mais verbas federais.
A fala foi vista como um recado para lá de direto ao governo mineiro que continua sendo um dos principais focos de oposição ao governo federal.
O clima esquenta no Senado
Enquanto o presidente foca na agenda externa o clima no Senado Federal é de ofensiva pura. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que investiga fraudes previdenciárias e repasses irregulares aprovou recentemente a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva o famoso Lulinha.
A medida foi impulsionada pela bancada de oposição que aponta indícios de irregularidades em contratos envolvendo empresas prestadoras de serviço à autarquia. Os principais alvos dessa investigação curiosa incluem os seguintes pontos:
- A suposta participação de intermediários em contratos de tecnologia do instituto.
- O fluxo financeiro entre empresas de consultoria e o núcleo familiar de políticos da base aliada.
- A análise de documentos que sugerem o uso de influência política para a facilitação de negócios.
Para tentar blindar o Palácio do Planalto os aliados do governo alegam que o presidente sempre defendeu que a Polícia Federal investigue qualquer suspeita com total autonomia. No entanto a repercussão do caso tem gerado um desgaste enorme na base parlamentar.
O fantasma das urnas
O clima político de 2026 já domina as conversas de bar e os gabinetes em Brasília. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu um passo decisivo nesta semana ao aprovar sete resoluções que vão reger o pleito de outubro. As novas normas trazem regras bem rígidas sobre o uso de inteligência artificial em propagandas eleitorais e cobram mais transparência no financiamento de campanhas.
O cenário para a reeleição de Lula parece um grande desafio. Pesquisas de opinião recentes indicam que a desaprovação ao governo gira em torno de 52% a 57% um prato cheio para fazer o Partido dos Trabalhadores (PT) repensar suas estratégias de comunicação e alianças regionais.
A conta chega em março
Com a aproximação do mês de março a expectativa é que o Congresso retome as votações prioritárias como a regulamentação do trabalho por aplicativos e a grande discussão sobre o fim da escala 6×1.
Ao mesmo tempo o Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar questões extremamente sensíveis sobre a autonomia de comissões parlamentares para investigar sigilos de autoridades e seus familiares o que pode simplesmente mudar o rumo da investigação em andamento.









