
O crime organizado na Amazônia parece não ter limites quando o assunto é tentar enganar a fiscalização, mas o faro apurado das equipes de segurança continua sendo o maior pesadelo dos traficantes. Na noite desta sexta-feira (20/2), o que deveria ser uma entrega de tubos de PVC e latas de frutas em calda se transformou em um prejuízo superior a R$ 1,57 milhão. A apreensão de mais de 70 quilos de entorpecentes prova que a vigilância nos rios está cada vez mais técnica e implacável.
A ação ocorreu na “Base Arpão 2”, unidade estratégica da Secretaria de Segurança Pública (SSP) que atua nas proximidades de Coari. O alvo foi a embarcação “Esmeralda”, que vinha de Tabatinga com destino à capital amazonense. O que os criminosos não esperavam era encontrar o cão policial Delta pelo caminho.
Faro de elite
O trabalho canino foi o divisor de águas nesta operação da Polícia Militar do Amazonas (PMAM). Enquanto a embarcação seguia seu curso normal pelo rio Solimões, o cão Delta deu o sinal de que algo estava errado no convés. Ao verificar o carregamento, os policiais encontraram uma estrutura montada especificamente para tentar camuflar o cheiro e a presença das drogas.
Os tabletes estavam escondidos dentro de tubos de PVC protegidos por mantas de lã de vidro industrial. Além disso, caixas de papelão continham latas de frutas em calda recheadas com pasta base de cocaína. Foi uma tentativa frustrada de usar a logística comercial comum para movimentar o mercado ilícito.
Esquema de PVC
A engenhosidade usada para embalar a droga mostra o nível de investimento das facções criminosas para burlar os bloqueios policiais. Retirar 65 quilos de maconha do tipo skunk e 5,5 quilos de pasta base de cocaína em um único barco não é apenas uma vitória numérica, é um golpe direto na estrutura financeira dessas organizações. Um homem foi preso em flagrante e levado para a delegacia da base flutuante.
Essa modalidade de tráfico utilizando barcos de recreio e mercadorias lícitas é um desafio constante para as autoridades. No entanto, o sucesso desta operação reforça que a integração entre tecnologia, inteligência e o uso de animais treinados é o caminho para sufocar as rotas de entrada de drogas vindas da fronteira.
Impacto financeiro
O valor da carga apreendida revela o quanto o crime estava disposto a arriscar para chegar a Manaus. Cada quilo de skunk e cocaína retirado das águas representa menos poder de fogo e menos recursos para alimentar a violência nos bairros da capital. O suspeito agora terá que responder pelo crime de tráfico de drogas, enquanto a polícia segue monitorando as principais hidrovias do estado.
É um lembrete para quem acredita que os rios da Amazônia são caminhos livres para a ilegalidade. A “Base Arpão 2” continua sendo um filtro essencial para a segurança de quem vive no interior e para a redução da criminalidade em Manaus.
Fique por dentro
- Operação: a apreensão ocorreu durante fiscalização na “Base Arpão 2” coordenada pela SSP.
- Material: os policiais encontraram drogas dentro de tubos de PVC e latas de conserva.
- Prejuízo: o valor total da droga apreendida é estimado em mais de R$ 1,57 milhão.
- Prisão: um homem foi preso em flagrante no convés da embarcação “Esmeralda”.










