
A saúde nos territórios originários não pode mais ser tratada como uma pauta secundária. O anúncio da retomada das obras da Unidade Básica de Saúde Indígena (UBSI) no polo base Vila Nova I, no Alto Andirá, representa um avanço que vai muito além de paredes e telhados. Estamos falando de um marco tecnológico e humano que coloca a sustentabilidade no centro do atendimento básico para os povos indígenas da região de Parintins.
Nesta sexta-feira (20/2), o coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Parintins, Jecinaldo Sateré, confirmou que o Ministério da Saúde deu sinal verde para o projeto. O diferencial que chama a atenção é a instalação de um sistema de energia solar, tornando esta a primeira unidade da região com total autonomia energética.
Retomada das obras
Após a autorização da Secretaria de Saúde Indígena (SESAI), o próximo passo é o processo de licitação. A expectativa é que, assim que a empresa vencedora for definida, o canteiro de obras seja reativado imediatamente. Essa estrutura é vital para desafogar o sistema de saúde e garantir que o atendimento chegue onde o povo realmente está, sem a necessidade de deslocamentos exaustivos até a sede urbana.
Energia do sol
A escolha pela energia solar não é apenas uma questão estética ou ambiental. Em áreas remotas como o Alto Andirá, a logística para o fornecimento de energia convencional ou o transporte de combustível para geradores é um desafio constante. Com placas solares, a unidade garante o funcionamento ininterrupto de equipamentos essenciais, mantendo a refrigeração de vacinas e medicamentos de forma segura e econômica.
Compromisso federal
O coordenador Jecinaldo Sateré ressaltou que esse progresso é fruto de uma articulação direta com Brasília. Ele destacou o papel das autoridades que viabilizaram o recurso e a tecnologia para a região.
“Com isso, nós já podemos iniciar o processo de licitação e, após conhecermos a empresa vencedora, vamos poder retomar a obra dessa importante estrutura de saúde para atender nossos irmãos da região do Alto Andirá. Essa é a política pública voltada aos povos originários sendo fortalecida pelo presidente Lula, a quem deixo meu agradecimento. Também registro meu reconhecimento ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e ao secretário da SESAI, Weibe Tapeba, pelo compromisso em levar mais qualidade de vida aos povos indígenas”, afirmou Jecinaldo Sateré.
Benefícios práticos
A modernização da assistência indígena traz impactos reais que precisam ser destacados para o entendimento da população e das lideranças:
- Autonomia: redução da dependência de combustíveis fósseis e geradores ruidosos.
- Sustentabilidade: preservação do ecossistema local com o uso de energia limpa.
- Segurança: garantia de luz e energia para procedimentos médicos de emergência durante a noite.
- Conservação: melhoria drástica no armazenamento de imunizantes que exigem baixas temperaturas.
Fique por dentro
O polo base Vila Nova I atende comunidades que formam a base da cultura Sateré-Mawé na calha do rio Andirá. A implantação de uma UBSI sustentável serve de modelo para outros distritos sanitários do Amazonas, mostrando que é possível aliar tecnologia de ponta com as necessidades específicas da floresta. O fortalecimento da SESAI nesta gestão indica que a saúde indígena caminha para um patamar de dignidade há muito tempo esperado.










